2.7 - ATAVIADA COMO NOIVA Ap 21:2

 

De todas as características observadas pelo profeta, na visão descrita no capítulo 21 do Apocalipse, uma deve merecer muita atenção por parte de quem vive o Evangelho de Jesus Cristo: Trata-se do modo como se apresentava a mulher. Ela estava vestida como uma noiva à espera do noivo ou seja, tinha já a posse da veste para cobrir sua nudez e mais ainda, retinha em seu poder os enfeites que a tornava bela aos olhos daquele que iria desposá-la.
Nós sabemos que a noiva só usa o vestido nupcial e se adorna tipicamente, momentos antes da realização da cerimônia de seu casamento.
É também do nosso conhecimento, que naquele momento, somente uma preocupação ocupa a mente da noiva: ser vista com admiração por seu noivo e encontrar os olhos de todos os convidados.
É, na observância desses detalhes que nós queremos submeter à sua avaliação e apreciação três tópicos importantíssimos que, julgamos nós, relacionam a vinda de Cristo com o comportamento da Igreja, do povo que irá representar parte daquele contemplado por João na revelação apocalíptica de Jesus Cristo, dada ao Apóstolo com a finalidade de abrir os nossos olhos quanto aos acontecimentos futuros: Apocalipse 1:1

a) A noiva, durante o noivado, não se expõe, a não ser para o noivo e não acata outra opinião senão a dele, não é verdade?
Considerando este aspecto, não seria o caso da Igreja estar sendo preparada às escondidas e sendo edificada exclusivamente por Deus?
É comum a noiva dar atenção à estranhos, aceitar seus presentes e andar em seus caminhos, arrogar para si autoridade, quando o noivo está ausente?
Quem sabe o casamento já aconteceu e nós ficamos a ver navios!
Ou ainda, Jesus, viria desposar uma noiva moderna, dos nossos dias, atualizada, dessas que mal suportam as bodas e são levadas às pressas para a maternidade. Seria este o modelo de noiva idealizado por Deus?
É evidente que não imaginamos este tipo de comportamento para a Igreja, para o povo, para a cidade edificada sobre os fundamentos deixados pelos Apóstolos, ao contrário, mulher dessa espécie nos lembra a figura daquele vista por João montada numa besta (Ap 17:3), o que deixa transparecer claramente, o seu domínio sobre alguma cousa, que não é outra senão os povos, multidões, nações e línguas. (Ap 17:15) Domínio este alcançado às custas de sua prostituição, mentira e engano. Enriqueceu-se, vestiu-se da melhor forma possível; orgulhou-se de suas ações; ostentou sua riqueza e sua luxúria diante dos homens.
Seria o caso de Jesus vir e encontrar aqui uma noiva com todas estas pompas? Governando, assumindo o controle de todos os negócios, vendendo, comprando, dando procurações e negociando com os bancos? Por acaso, foi esta a tarefa deixada pelo noivo ao ausentar-se por um pouco de tempo?
A terra na verdade, será nossa possessão definitiva, no entanto, não podemos reiná-la sem Ele. O governo do mundo, um dia será nosso.
Todavia, é necessário esperar o Senhor voltar e assumir este reino.
“Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino, e voltar” Lucas 19:12
Quando Ele voltar, espera encontrar os seus servos, realizando os serviços determinados por ele e não, ignorando a sua autoridade. Apesar de ausente, conta com a fidelidade daqueles que concordam com sua direção e o aguardam.
É bem verdade que nem todos obedecem e passaram a fazer as coisas sem consultar o Senhor, reinaram sozinhos como se o Senhor nunca mais voltasse. Fizeram de acordo com suas próprias idéias. Quando o Senhor voltou, todos tiveram que prestar contas dos serviços aqui realizados. Aqueles porém, que não quiseram que o Senhor reinasse sobre eles, foram também, chamados à presença do Rei para responderem por seus atos. (Lucas 19:11-27)
“Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença.” Lucas 19:27
“Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes, e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono...” Ap 6:15-16
Por que esconderam? Qual a razão da vergonha? Não seria em conseqüência da grande decepção e arrependimento de que foram tomados, por não terem crido nas palavras de Jesus?
Já não se achava mais, na cabeça de ninguém, a volta do Senhor para governar a terra. A sua noiva sim, esta esperou todos os dias a sua vinda. Estava sempre pronta, devidamente adornada; temia ser encontrada de repente, pelo noivo, nua e não vestida.
A expectativa do povo de Deus, em relação àquele que vimos a pouco, desesperado, surpreso, abalado com os acontecimentos daquele dia, é completamente diferente, senão vejamos:
“Então ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas, e como de fortes trovões, dizendo:”
“Aleluia! Pois reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso.
Alegremos-nos, exultemos, e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro.” Ap 19:6-8
“O reino do mundo se tornou de nosso Senhor. Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar.” Ap 11:15-19

b) Segundo ponto de característica importante: Não é a noiva a pessoa que possui relacionamento mais íntimo com o noivo?
Este segundo aspecto relacionado com a noiva, nos garante que a igreja dos últimos dias ou últimas horas, como queiram, irá, para cumprir as escrituras, aumentar a sua intimidade com Deus, chegando a ser conhecida e conhecê-lo profundamente, aliás, para isto existe o noivado, para uma maior aproximação entre os noivos.
Com isto, não seria a noiva, a pessoa mais indicada para nos transmitir os conhecimentos e as idéias relativas ao noivo?
Será que as outras mulheres, com quem o noivo não se relaciona, sabe informar tanto quanto a noiva, dos assuntos que envolvem a celebração das bodas? Esta questão não está ligada aos interesses apenas dos noivos?
“Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo.
Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: Por amor do qual, perdi todas as cousas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo, (casar com ele), e ser achado Nele, não tendo justiça própria, que procede da lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer...” Fil 3:7-11
Este sim, sem dúvida, é o espírito da noiva. O seu interesse pelo noivo é realmente diferente. A sua mente é ocupada constantemente em agradá-lo, em realizar muito mais a vontade Dele do que propriamente a sua.
Que diferença! Que distância existe entre esta e aquela!

c) O terceiro ponto a ser analisado é o seguinte:

Às vésperas da vinda de Cristo, quanto mais se aproxima o seu retorno, não é também o tempo em que a noiva deveria se vestir apropriadamente, uma vez que o encontro entre ambos é visto como a celebração de um casamento?
E se assim consideramos; se acreditamos na volta de Cristo; se os sinais apontam a aproximidade do seu retorno, porque então não abrimos os nossos olhos e perguntamos: Onde está a noiva? Onde está o povo cuja pureza, santidade, obediência, justiça e procedimento, o credenciam a ser visto por Deus, com a aparência de uma noiva caminhando em direção ao noivo, para o último ato de seu noivado? Onde está este povo: imaculado, sem mancha e sem ruga?
Procurando-o, fomos buscá-lo no meio político, entre os governantes, entre aqueles que estão regendo as nações nestes dias e sinceramente, não conseguimos distingui-lo ali. Ao contrário, foi lamentável o quadro que encontramos.
Não encontrando ali, o procuramos então entre os comerciantes, os industriais, entre os mercadores desta terra e a tristeza continuou, porque o que vimos naquele meio, foi um povo ganancioso, egoísta, amante de si mesmo, cuidando exclusivamente de seus interesses.
Dali fomos procurá-lo entre as famílias, entre os pais, entre os filhos, entre os velhos e jovens, entre os casais e entre os namorados. A princípio, julgamos ser mais fácil encontrar o povo de Deus aqui. Todavia, verificamos que estes eram os mesmos que estavam entre os políticos e mercadores. As famílias estavam envolvidas de tal forma no sistema, que não se podia notar o seu funcionamento individual. Os pais para um lado, as mães para outro, os filhos entregues à própria sorte, crescendo sem nenhuma orientação, a não ser incentivos à prosperidade financeira, luxúria e grandeza. Os jovens assimilando rapidamente os costumes brutais da época: promiscuidade, insubordinação, rebeldia, desgoverno etc.
Entre os mais velhos, onde se pensava encontrar alguma atitude diferente, que viesse combinar com os princípios cristãos, não foi menor a decepção. Estavam, tanto quanto os demais, perdidos, vencidos, confusos e decepcionados. No entanto, mantendo a mesma rebeldia que herdaram dos pais e legaram aos filhos.
- Finalmente, chegamos aos namorados, aos futuros pais, e sentimos penalizados diante da concepção que faziam a respeito do matrimônio; desconheciam totalmente o propósito que leva duas pessoas a se unirem em casamento. E assim, não pudemos localizar também, o povo de Deus, neste meio.
Onde poderíamos encontrá-lo? Em que lugar desta terra estaria a noiva à espera do noivo?
A esperança viria renascer quando nos veio à lembrança, a grande possibilidade de encontrar os filhos de Deus entre os religiosos, em suas diferentes denominações, e vejam a surpresa que tivemos: Eles se compunham também daqueles políticos, mercadores e famílias que vimos em outros locais. Embora a aparência tenha causado grande dificuldade, não nos foi possível distinguir entre eles, o povo que pratica a justiça de Deus.
Mesmo tendo absoluta certeza da existência de um povo, que vive nas condições estabelecidas por Deus, sobre esta terra, foi em vão a nossa tentativa no sentido de vê-lo como um todo, vivendo separado dos demais povos.
Continuamos então perguntando: Onde estaria a noiva de Cristo? Com que povo poderíamos compará-la?
Teriam as escrituras sagradas resposta para a nossa pergunta? Sim. Foi lá, exatamente ali, que entendemos ser impossível localizá-la da forma como queríamos.
A noiva de Cristo, não se manifestará durante a ausência do noivo. Ela não aceitou os costumes dos demais povos. Espera virgem e pura, pelo noivo que prometeu voltar para desposá-la.
“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as cousas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.
Pensai nas cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.
Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele, em glória.” Col. 3:1-4
Entendi que o povo que eu procurava, encontrava-se espalhado por todos os lugares e, para o mundo, estava morto, razão pela qual o mundo não o reconheceria como povo.
Pude compreender também que a vida deste povo está em Cristo e Ele não vive aqui. Portanto, sua revelação está condicionada à manifestação gloriosa de Cristo.
Veio-me à memória, que o havia procurado entre os ocupados com seus campos, juntas de bois e interesses próprios e não me havia lembrado de procurá-lo entre os pobres, aleijados, cegos e coxos; entre os que estão nas encruzilhadas à procura de solução, de alívio; e reconheci que as escrituras estavam se cumprindo. Que aqueles, onde a princípio eu julgava encontrar a noiva, haviam rejeitado o convite para as bodas do Cordeiro de Deus. Mateus 22:1-4 e Lucas 14:15-24
Vi também que o povo de Deus, para o mundo, constituía-se em problema e não solução.
Que este povo aflito, doente, cansado, oprimido, perdido nas encruzilhadas desta vida, cego pelo entendimento egoísta, desonesto e usuário do deus deste século, era exatamente, o povo que Deus estava convidando para assentar-se, à sua mesa, no seu reino.
Vi que a noiva existia, mas no mundo jamais iria reconhecê-la pois que, sua virtude, seu encanto, sua beleza não estava expostas ao mundo mas somente ao noivo. Ele sim, reconhece nela o povo de Deus. Os convidados também, aqueles cujas vestes estão sendo alvejadas pelo sangue do Cordeiro, têm nela, profunda admiração.
Pude observar que a dificuldade em localizar o povo de Deus, em distinguir a noiva de Cristo dentre as outras mulheres, levava as escrituras sagradas a se cumprirem, anunciando a tribulação que antecederia a volta de Cristo e a confusão prevista pelo próprio Cristo.
Como sempre acontece, o homem, de um modo geral, nunca admite ou espera que algo de errado ou algum mal possa acontecer em sua própria vida. Nunca reconhece seu engano ao preterir a tarefa de Deus aos seus próprios interesses. Quando, eventualmente, procura por Deus, é para solucionar um problema que impede na realização de seus interesses ou dificulta o gozo de sua vida neste mundo. Para ele, enquanto o lucro, a vitória, o sucesso e o domínio, andam a seu favor, é graças a Deus que os consegue, mesmo usando meios ilícitos, injustos e em detrimento de outros. Pratica a iniqüidade e louva a Deus por tê-la praticado.
Entendi que o homem natural, realmente, não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura. I Cor 2:14-16
“Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas considerai isto: Se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.
Por isso ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá.” Mateus 24:42-44
Que não aconteça conosco o mesmo que ocorreu nos dias de Noé, quando se cuidavam apenas em satisfazer os seus desejos e visavam somente suas próprias realizações. Com isto, foram surpreendidos com a inundação que não estavam esperando.
“Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.” Mat 24:38-39
Compreendi também que havíamos passado de um para outro evangelho. Que a Doutrina de Cristo não estava sendo anunciada onde normalmente se esperava ouvi-la. Que a esperança de ressurreição em Cristo, fator preponderante na Doutrina dos Apóstolos, que os levou a anunciar, ousadamente, a palavra de Deus, havia desaparecido por completo.
“Falavam eles ainda ao povo quando sobrevieram os sacerdotes, o Capitão do templo e os saduceus; ressentidos por ensinarem eles o povo e anunciarem em Jesus a ressurreição dentre os mortos; e os prenderam...” Atos 4:1-3
Estava então, evidente a meus olhos, a razão pela qual já se podia notar, o corre-corre e a aflição de muita gente que procura por Deus; bem como a indiferença e negligência por parte daqueles que se julgam conhecedores da verdade. Notei então, que os construtores estavam fazendo, novamente, descaso da principal pedra.
“Dois estarão no campo, UM SERÁ TOMADO, e o outro deixado.” Mateus 24:40
Com a transcrição deste versículo, estamos concluindo a segunda parte e dando início a uma terceira parte, cujo assunto, reputo eu, é da maior importância. Trata-se da conscientização nossa, da possibilidade de estarmos em uma dessas duas situações, ou seja: SER TOMADO ou SER DEIXADO.
Ao longo do trabalho até aqui realizado, tentamos mostrar, mediante exemplos e comparações de textos bíblicos, com a vida apresentada pelo homem em nossos dias, a real situação do ser humano em relação a Deus. É evidente que não poderíamos utilizar melhor fonte de consulta, senão a própria Bíblia.
Estaremos plenamente satisfeitos, se ao fim deste, tivermos deixado condições, pelo menos superficiais, para uma avaliação sincera do título que ostentamos.
Nos dias de Noé, não foram salvos senão os que estavam na arca. O mesmo aconteceu nos tempos de Ló, após a sua saída da cidade de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, e destruiu a todos que ali se encontravam. Luc 17:26-29
Nos dias em que vivemos, a palavra é: Sair de Sodoma e entrar em Cristo, o único lugar de salvação.
Quando Cristo se manifestar, manifestará também o povo de Deus. Cabe exclusivamente a nós, a certeza de que estamos Nele.
“Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória...” Fil 3:20-21


 

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