TUDO MENOS A CRUZ


Com o DOMÍNIO do pecado, todos os homens, sem exceção, passaram a sofrer dificuldades, as quais são conseqüências normais da vida humana. AMALDIÇOADA em razão da desobediência do próprio homem a Deus, seu Criador. Por causa do pecado (desobediência), a vida se tornou cada vez mais difícil: “Porquanto desde ouvidos á voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todas os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos...Do suor do ter rosto comerás o teu pão, até que tornes a terra...” (Gênesis 3:17-19).

Não demorou muito para que o gênero humano se corrompesse e a Terra se enchesse de violência (Gênesis 6:11-12), o que levou Deus a provocar o dilúvio (Gênesis 7:17-24). Após o dilúvio, quando Noé edificou um altar e ofereceu sobre ele um sacrifício a Deus, o Senhor se agradou de tal forma daquela atitude que, em seu coração, disse que não mais AMALDIÇOARIA a Terra por causa do homem. E abençoou Deus a Noé e a seus filhos (Gênesis 8:20-22 e 9:1).

No entanto, quando se esperava somente BÊNÇÃO a partir dali e o homem vivendo em perfeita comunhão com Deus, isto não ocorreu. Noé e seus filhos se desentenderam e o PAI amaldiçoou um de seus FILHOS (Gênesis 9:20-25). Eu imagino o que o amigo leitor deve estar pensando: em um número tão pequeno de pessoas não houve acordo; não puderam andar juntos; lá estava o pecado; a desobediência; a maldição. O que não deve então ter ocorrido quando eles se multiplicaram e encheram a Terra? Seria exagero se fizéssemos uma comparação com os nossos dias? E por que os homens não se entendem? Não seria por causa do pecado que acompanha o homem e com ele permanece, como aconteceu com a família de Noé?

A verdade é que o conhecimento do bem e do mal complicou de tal forma a vida do homem que a ele não restou outra alternativa a não ser aprender a DISCERNIR O BEM DO MAL, e ainda fazer OPÇÃO PELO BEM, se quiser a benção de Deus; “Vede que hoje ponho diante de vós a bênção e a maldição; a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus... porém a maldição, se não obedecerdes..” (Deuteronômio 11:26-28). E não é só. Qualquer mal que pratiquemos desencadeia uma seqüência de outros males. A maldição cresce na medida em que uns vão se vingando dos outros, pagando mal com o mal, e a maldade vai crescendo numa velocidade assustadora: “É maior a minha punição do que eu possa suportar... serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á... quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança” (Gênesis 4:13-15).

Dessa forma, podemos afirmar que o pecado ainda não foi eliminado; que ele se mostra tão forte quanto nos dias de Noé, quando o homem provocou a ira de Deus. Isto é fato confirmado até mesmo pela situação em que a humanidade se encontra nos dias de hoje. Tudo parece apontar para a MALDIÇÃO e não para a
BÊNÇÃO. Uns são afligidos pela falta de chuva, outros pelo excesso; uns pelo calor, outros pelo frio; uns pela pobreza, outros pela riqueza, e assim por diante. A realidade é trabalho, dificuldade contrariedade, desgosto, angústia, aflição, amargura, injustiça e outras adversidades.

Para tentarmos explicar melhor esta situação (o homem e o pecado), voltemos ao início das Escrituras Sagradas, quando Caim faz uma oferta a Deus, que dela não se agrada. Isto foi suficiente para que ele ficasse aborrecido e irado. Notado por Deus, Caim foi orientado sobre como deveria proceder para levantar o seu semblante, o que, no entanto, não ocorreu. O que se viu foi uma atitude completamente diferente. Caim levanta-se contra seu irmão, de quem Deus se agradou, e o mata. Esta história, eu creio, se REPETE. Ninguém quer desagradar a Deus. Todavia, querem obrigá-lo a aceitar tudo o que a Ele se oferece, ainda que seja contra á sua vontade. O mal maior é que ninguém aceita ser contrariado naquilo que faz. E, quando isto acontece, deixa cair o seu semblante e mostra a mesma rebeldia e natureza de Caim, caracterizando-se, então, a presença maligna do pecado.

Do ponto de vista humano, só existe um modo pelo qual poderíamos evitar tais problemas. E que modo seria esse, senão que o homem PROCEDESSE BEM em tudo o que fizesse, atraindo para si a benção. Deus disse a Caim o seguinte: “Porventura se procederes bem não se há de levantar o teu semblante? E se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar” (Gênesis 4:7).

A vontade de pecar, ou seja, deixar de fazer o que é justo, correto, direito, amável, é muito forte em nós. Mesmo assim, devemos dominá-lo. Mas como fazer se, mesmo querendo praticar o bem, o mal está conosco, como bem frisou o apóstolo Paulo: “Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico; ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo” (Romanos 7:19-21).

Concluímos então que a alternativa que sobrou para o homem de se livrar da maldição, fazendo o bem, TERMINA AQUI, uma vez que ele se declara incapaz de assim proceder. Por esta razão sua condição foi considerada miserável: “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? (Romanos 7:24).

Chega assim o ponto mais importante, eu creio, na vida do homem: o momento em que ele se reconhece PECADOR, ARREPENDIDO e INCAPAZ de agradar a Deus. Mas será que o homem alcançaria isto sozinho se Deus dele não tivesse misericórdia e, vendo sua lastimável situação, não viesse pessoalmente ajudá-lo e salvá-lo, cumprindo assim uma promessa antiga de que libertaria o seu povo das mãos de seus inimigos?

O homem estava perdido, em total escuridão, quando o próprio Deus se fez carne, veio e, no lugar do homem realiza o que a este era impossível, ou seja, vencer o mal, fazer o bem e agradar a Deus. Assim, Ele rompeu as trevas e como luz para os povos seus pés pisaram a Terra: “Abaixou os céus e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus pés (Salmos 18:9); “...nos libertou do poder das trevas...” (Colossenses 1:13).

Estava ali o SALVADOR, o Filho Deus Homem que ao mesmo tempo era Deus e que haveria de CRER em tudo o que ESTAVA ESCRITO a seu respeito: “Eis aqui venho; no rolo do livro está escrito a meu respeito” (Salmos 40:7). O varão perfeito. E assim, com a sua JUSTIÇA mostraria o CAMINHO DE VOLTA PARA Deus; e com relação ao homem era mais forte e poderoso, como está no livro dos Salmos: “Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me aborreciam, pois eram mais poderosos do que eu... Recompensou-me o Senhor conforme a minha justiça e retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos... Porque guardei os caminhos do Senhor e não me apartei impiamente... Me cingiste de força para a peleja; fizeste abater debaixo de mim aqueles que contra mim se levantaram...” (Salmos 18:17,20,21,39).

Chegado então era o FIM DA LEI, da espada flamejante, impedimento que guardava o caminho da árvore da vida. O que era impossível ao homem, ou seja, proceder bem em todos os seus atos, Jesus Cristo fez, em seu lugar, inaugurando um novo e vivo caminho para se chegar ali, na árvore da vida e dela se alimentar: “...Ora, não suceda que estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e como e viva eternamente” (Gênesis 3 :22).

Ele chegou lá. Venceu a morte e o pecado. Foi obediente em tudo. Cumpriu a lei. A ressurreição dos mortos e a vida eterna tornam-se possível ao homem. Deus e o homem estavam, novamente, em perfeita comunhão. Além disso, provou o seu grande amor pela humanidade quando deu a sua própria vida por um NOVO TESTAMENTO, onde exige apenas que o homem creia em sua palavra para se tornar, também, um filho de Deus: “Pois onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador. Porque um testamento não tem força senão pela morte, visto que nunca tem valor enquanto o testador vive” (Hebreus 9:16-17).

Hoje, ao invés de enfrentarmos o pesado jugo da lei, quando nos virmos naquela lastimável condição, tão somente devemos CRER NA PALAVRA do nosso SALVADOR e ela, pelo poder que tem de nos regenerar, nos purificará de todo o pecado (Tito 3:4-6). Não há mais a condenação do Diabo, a não ser para os INIMIGOS DA CRUZ DE Cristo, a qual simboliza a sua doutrina, a sua justiça, a sua vida. O que exigir mais de quem fez tudo por nós? “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?...” (Hebreus 2:3). Se a sua palavra nos escandaliza e nos ofende, devemos nos lembrar que nisto consiste a salvação do homem, que alguém, deixando de fazer a sua própria vontade, possa agradar a Deus: “Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas à vontade daquele que me enviou” (João 6:38).

Ao aceitarmos o Evangelho, Ele nos dá o seu Espírito, e assim, não há como não participarmos de seus sofrimentos: “...se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mateus 8:34). O que para muitos é motivo de escândalo, para nós, os que cremos, é o PODER DE DEUS para nos salvar (Romanos 1:16). Infelizmente, não são poucos os que ainda não entendem e acabam tropeçando na PRINCIPAL PEDRA da igreja. Querem tudo de Deus, menos a cruz. Que pena!

INFORMATIVO VEREDA: Ano 01 - número 02 - Goiânia, fevereiro de 2000.

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