“9 E aconteceu
naqueles dias que veio Jesus de Nazaré da Galiléia, e foi batizado
por João no Jordão.
10 E logo, quando saía da água, viu os céus se abrirem,
e o Espírito, qual pomba, a descer sobre ele;
11 e ouviu-se dos céus esta voz: Tu és meu Filho amado; em ti
me comprazo.
12 Imediatamente o Espírito o impeliu para o deserto.
13 E esteve no deserto quarenta dias sendo tentado por Satanás; estava
entre as feras, e os anjos o serviam.”
Vamos observar uma
coisa que acontece na vida, eu creio, de todos nós, de todas as pessoas
que estão neste mundo, ou seja, que habitam neste corpo: a tentação.
E Jesus, como não poderia deixar de ser, também foi tentado. Para
quê? Para inaugurar, nos ensinar um caminho, nos mostrar que a forma que
temos de passar por esse mundo e alcançar o céu é suportando,
vencendo a tentação.
Quem preparou o caminho, quem começou realmente a fazer esta obra para
cumprir as Escrituras foi João Batista, alguém que não
aparentava ser de Deus, não é? Era completamente diferente do
protótipo de “homem de Deus” que se tinha em mente: vagava
pelo deserto, vestia-se com pele de camelo, alimentava-se de gafanhoto e mel
silvestre e outras esquisitices.
Aos poucos, por causa da autoridade com que falava, começou a convencer
o povo de que tinha razão. Assim, foi aberta uma grande contenda entre
aquilo que parecia ser de Deus e a pregação de João.
Jesus, ao iniciar o Seu ministério, concordou com tudo o que ele havia
dito. Tanto é verdade que foi batizado por ele. Exatamente nessa hora,
o Espírito Santo desceu sobre Ele, sob a forma de uma pomba.
Para recebermos o batismo de alguém, devemos concordar com aquilo que
ela fala. Isso quer dizer que, quando somos batizados em Cristo, é porque,
fundamentalmente, aceitamos a Sua doutrina.
Voltando ao que estávamos dizendo, o nosso problema, a nossa grande dificuldade
reside em algo que chama-se tentação. E o Reino de Deus está
depois do deserto, desse período de tentação. É
onde muitos caem, por não serem capazes de resistí-la.
Foi o que aconteceu com o povo de Deus no deserto, morreram milhares deles.
(1 Co 10:8-11) É uma figura para os nossos dias. A saída do Egito
simboliza a nossa conversão. Tomamos a nossa cruz e seguimos a Cristo.
A partir daí, já estamos caminhando no deserto, deixando o mundo,
ao mesmo tempo em que passamos por várias tentações. Então,
estamos sujeitos a cair. Caminhamos para o Reino de Deus, que é simbolizado
pela terra que Deus havia prometido ao Seu povo.
A princípio, estávamos num lugar, num reino que não era
o de Deus, onde fazíamos o que a nossa carne mandava. Paulo disse: “...entre
os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da
nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por
natureza filhos da ira, como também os demais...” (Ef 2:3)
Fizemos isso até o dia em que aceitamos o Evangelho, uma Palavra, uma
doutrina que nos deu esperança, mas que vai de encontro a quase todo
nosso procedimento.
Começamos a caminhar para o Reino de Deus. Então, será
que, dali para frente, mudou alguma coisa na nossa vida? Claro que sim, mudou
o reino, o governo. Já não fazemos tudo o que dá na nossa
cabeça.
É preciso entender que viramos as costas para o reino de Satanás
e ele não ficou nada satisfeito conosco. É claro! Simplesmente
nos declaramos inimigos dele. Com isso, muitos não contavam ao se tornar
um cristão.
O diabo é nosso adversário, nosso inimigo, nosso rival. É
por essa razão que ele nos persegue. “Sede sóbrios, vigiai.
O vosso adversário, o diabo, anda em derredor, rugindo como leão,
e procurando a quem possa tragar.” (1 Pe 5:8)
Em compensação, o que ganhamos em troca? A amizade de Deus e a
promessa de que habitaremos numa terra onde mana leite e mel, completamente
nova, diferente, está certo? Essa é a promessa!
O apóstolo Pedro diz que nós aguardamos um novo céu e uma
nova terra, onde há justiça. É ou não é a
mesma promessa? (2 Pe 3:13) Normalmente, quando nos convertemos, saímos
do Egito decepcionados com o mundo, reconhecidamente machucados, não
é, Valdete? Aí, falamos: “Deus me livre desse mundo, só
tem ruindade. Eu não quero mais, não!”
Mudamos até o jeito de falar, queremos agradar a Deus em tudo. “O
que o Senhor disser, eu vou fazer. O Senhor quer que eu toque violão?
Eu vou tocar. O Senhor quer que eu cante? Eu vou cantar. O Senhor quer que eu
chore? Eu vou chorar”. Não podem nem olhar que choramos.
Nos ajuntamos aos demais e iniciamos a nossa caminha da. Bom, o problema surge
daí para frente. É sobre isso que eu quero conversar com vocês
hoje.
O que vai acontecer neste percurso entre a decisão de servir a Deus e
a nossa real entrada no Reino dos Céus? Até então, há
apenas uma esperança, uma promessa. Ele nos deixou bem claro o seguinte:
“O meu Reino não é deste mundo.” (Jo 18:36) É
por isso que temos de sair do mundo, que é enganoso, injusto, ilusório,
traiçoeiro e mau. O governo do mundo é tudo isso.
Abrem-se os nossos olhos, mas, antes de entrarmos, é preciso recordar
que ainda estamos neste corpo. Há, portanto, sempre o risco de sermos
tentados e cairmos. Enquanto estivermos no corpo, podemos perder a nossa salvação.
Esse é o trecho mais arriscado, mais difícil.
Por isso eu digo que o ladrão foi muito feliz. O pedaço que ele
caminhou foi pequeno demais. Mal andou e já estava na porta do Paraíso.
Feliz dele que se encontrou com Jesus Cristo. Da cruz ele iria para onde? Que
esperança ele tinha? Mas, se descesse e desse uma chegada no Shopping
Flamboyant, ainda poderia mudar de idéia. (Risos - Ed.)
O que ele iria encontrar lá? Tentação. E se no tempo dele
tivesse outdoor oferecendo um produto? Ele poderia ser tentado, certo? Poderia
até pecar e cair? Então, qual é o nosso grande problema?
A tentação. Mas o que é tentação? A Paula
está dizendo ali que tentação é provocação.
Se vocês observarem, a tentação está presente em
todos os lugares. Imaginem um perfume de fragrância bem gostosa. Que nome
normalmente é colocado? Até mesmo o nome é para provocar.
A concupiscência dos olhos nos leva a querer sentir o cheiro do perfume.
Depois que sentimos, fica mais difícil ainda. Há certas roupas
que são uma tentação.
Como é que se chama a roupa, Débora? (Risos - Ed.)
Tentação.
Vão nos vender um apartamento, um prédio... A propaganda, como
é, Rosemar?
Uma tentação.
Amém, Adriano?
Tem um programa do Sílvio Santos que se chama Tentação.
(Risos - Ed.)
Amém, Elias?
Amém. Isso mesmo. Tudo que o mundo nos oferece é para complicar
ainda mais a nossa passagem por ele, é uma tentação.
É para dificultar e, se possível for, impedir a nossa entrada
no Reino de Deus. São tantos os obstáculos que dificultam... E
aquilo, se observarmos, é sempre uma tentação. Se é
uma tentação, não pode vir de Deus, porque Deus a ninguém
tenta. Quem teria interesse em nos impedir de entrar no Reino dos Céus?
De que forma o diabo nos provoca, nos tenta, Valdete?
Despertando em nós o desejo, uai! (Risos - Ed.)
Exatamente! Despertando o desejo, não é assim? Esses desejos são
contrários a Deus?
A maioria sim. Somos tentados a permanecer no reino do diabo.
Repare bem isso. Eu vou perguntar para outra pessoa. Em que somos tentados,
Vanilde?
O diabo nos provoca em tudo o que existe aqui.
Então, na verdade, se ainda somos tentados, é sinal de que ainda
não renunciamos a nós mesmos. Quando recebemos a Cristo, deveríamos
morrer para o mundo. Aliás, esse é o significado do batismo.
Muitas vezes, sem entendimento, dizemos: “Eu renuncio a mim mesmo, aceito
participar da morte de Cristo.” Se de fato tivéssemos morrido para
o mundo, nada mais poderia nos tentar. O apóstolo Paulo diz: “...se
um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os
que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu
e ressuscitou.” (II Co 5:14-15)
Entretanto, se ao sair do Egito, ainda tivermos o nosso coração
em algo, o diabo vai usar aquilo para nos tentar. Sabendo que ainda estamos
apegados, vai nos provocar exatamente porque sabe que não somos completamente
livres.
Vamos verificar no dicionário o significado de tentação?
Tentação: “ato ou efeito de tentar, disposição
ou ânimo para a prática de coisas diferentes..., tratar de conseguir,
buscar, procurar, causar desejo”. É nesse sentido que a tentação
deve ser entendida: “causar desejo”.
O diabo sabe, por exemplo, que o homem gosta de dinheiro, que o homem gosta
de mulher e a mulher de homem, que gostamos de comer. Só de passar na
rua e sentir aquele cheirinho gostoso de carne sendo assada... Já é
uma tentação. (Risos - Ed.)
Por quê, Fernando?
Porque nos causa desejo.
Então, tudo aquilo que nos causa desejo, vontade de ter, de possuir,
de ser... Por exemplo, quem não gosta de sossego, de paz, de tranqüilidade,
de ser amado? Se gostamos das coisas todas corretas... Tem pessoas que não
se importam com nada, mas o povo de Deus se importa com o que é reto,
justo. Como vocês acham que o diabo vai tentar alguém que não
gosta de asseio? Não sabem? Vocês não seriam um bom inimigo.
(Risos - Ed.)
Como você faria para tentá-la, Fernando?
Daria a ela um sabonete de presente. (Risos - Ed.)
Isso! Se você der sujeira, ela não estará sendo tentada.
Entenderam? Ela gosta de sujeira e se você der mais sujeira, estará
do jeito que ela quer. A tentação é o contrário.
Jesus estava de jejum e o diabo quis persuadí-Lo a comer.
Então, se a pessoa quer tudo certo, correto, o diabo vai colocá-la
onde todos fazem o que é errado. Se Deus fica feliz que a reunião
comece no horário correto, de que maneira o diabo iria nos tentar para
provocá-Lo? Nos fazendo chegar atrasados à reunião.
É fazendo o contrário que se tenta e provoca. Então, de
acordo com esse raciocínio, as coisas do mundo não tentam o homem
do mundo. Provocam a quem? A quem deseja o contrário, a quem não
quer o mundo. A tentação é um forte inimigo do povo de
Deus.
Sabemos que, por exemplo, no mundo, ele acrescenta a cada dia mais mal, mas
isso não chega a ser uma tentação, pois está sendo
feito do jeito que ele quer. “A luz veio ao mundo e os homens amaram mais
as trevas do que a luz.” (Jo 3:19)
Mas, para nós, que queremos ser justos, santos, perfeitos... Por causa
dela, vivemos tristes, oprimidos, porque estamos sendo tentados e não
estamos conseguindo superar.
Então, se estivermos com fome, o diabo nos tenta oferecendo comida. Suportamos
um dia, dois, três, mas, se a tentação for muito forte,
comemos. Depois que fazemos o que ele quer, acaba ou não acaba a tentação?
Por que acabou o problema? Fazíamos a vontade de Deus e fomos tentados
a não fazer mais.
Muitos estão acostumados a ficar sem comer até duas, três
horas da tarde, e ficam tranqüilos. Mas fale em fazer um jejum para você
ver? Já sente falta do café-da-manhã antes mesmo de acordar.
Se brincar, sonha que está de jejum. (Risos - Ed.)
O diabo sabe que estamos nos esforçando para fazer a vontade de Deus
e não a nossa própria vontade. O problema é que tem aqueles
que ainda se justificam: “Eu não posso fazer jejum, minha cabeça
dói.” (Risos - Ed.)
Essa dor é uma tentação, justamente para que a pessoa não
faça o jejum. Então, muitas coisas vêm para que não
consigamos fazer a vontade de Deus. São as tentações, os
tropeços que o inimigo coloca no nosso caminho.
Tanto é verdade que basta começar a comer para que a tentação
passe. Mais exemplos? Então, alguém está acostumado a levar
uma vida humilde, tranqüila, sem problema. Percebendo isso, notando que,
apesar de tudo, a pessoa está feliz com Deus, o que ele vai fazer? Tentá-la
a ponto dela ficar oprimida.
Depois de despertar nela o desejo pela riqueza, fica muito mais fácil.
Então, ele vem, oferece riquezas e muda o comportamento dela. De repente,
não se conforma mais com a vida que levava.
Por isso é que as palavras, as pregações que muitos falam
por aí são verdadeiras tentações: “Este aqui
ganhou dinheiro! A vida dele ficou uma beleza...” Esses dias, eu presenciei
uma pessoa dando testemunho na televisão, dizendo: “Os que eram
meus patrões passaram a ser meus empregados. Aleluia! Para mim, foi a
fogueira santa!”
Era um doutor não sei lá das quantas. Eles não escolhem
qualquer, não, tem de ser um doutor. E quem estiver vendo aquela entrevista
é tentado a fazer o mesmo. Enquanto tem uns jejuando, sofrendo, pelejando
para ser santo, o doutor, sem fazer nada, só por causa da fogueira, seus
patrões passaram a ser empregados.
Eu fico pensando onde está a justiça. Será que Deus quer
isso? Que os patrões passem a ser empregados e que os empregados, subindo,
pisem neles? Veja se tem justiça, se tem Evangelho nisso? Mas acaba tentando
ou não? Provoca ou não provoca? Provoca.
Vamos agora ler em Hebreus, capítulo 3, versículos 7 a 10. Quem
lê, por favor?
“7 Pelo que,
como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz,
8 não endureçais os vossos corações, como na provocação,
no dia da tentação no deserto,
9 onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram por quarenta
anos as minhas obras.
10 Por isto me indignei contra essa geração, e disse: Estes sempre
erram em seu coração, e não chegaram a conhecer os meus
caminhos.”
Então, o que
aconteceu com o povo que Deus tirou do Egito? No deserto, provocados, tentados,
instigados, começaram a questionar a Deus. É isso que o diabo
também quer fazer conosco: nos tentar para que comecemos a provocar a
Deus.
Vejam que detalhe importante. O que Jesus disse quando foi tentado? “Não
tentarás o Senhor teu Deus.” (Mt 4:7) Ele simplesmente queria fazê-Lo
pecar. O que ele quer ao nos tentar? Também nos fazer pecar. Ele não
quer a nossa felicidade coisa nenhuma, quer sim a nossa destruição.
“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir...”
(Jo 10:10)
Se não tivermos cuidado, vamos tentar a Deus. Está certo? De que
maneira tentamos a Deus? Satanás diz: “O Povo de Deus é
assim, sofrido, doente, sem nada?” Muitos, ao ouvir, dão razão
e mesmo que não digam, pensam: “Você sabe que é mesmo?”
Ele faz isso através das pessoas. É por meio delas que seremos
tentados.
De tanto tentar, de tanto provocar a Deus, o que vai acontecer, Omilde?
Você endurece o coração?
Vamos ver se vocês descobrem. Quem descobrir ganha um doce depois da reunião.
(Risos - Ed.) Tentando, provocando a Deus, o que vai aconter, Danielly?
Você não vai para o Reino de Deus, não sei...
Deus vai tomar a seguinte providência: de tanto insistir, vamos acabar
recebendo aquilo que estávamos pedindo. Poderíamos passar muito
bem sem, aliás, seria até muito melhor para nós, mas...
“Não tentarás o Senhor teu Deus.”
O que o povo no deserto queria? Carne! Começaram a murmurar: “Quem
nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos
de graça, e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas,
e dos alhos. Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão
este maná diante dos nossos olhos.” (Nm 11:4-6)
O que fizeram, então? Tentaram, provocaram a Deus. Tiveram o que pediram?
Tiveram. Mas a carne os ajudou em alguma coisa? Não. Foi bom para eles?
Não foi. Podiam até dizer: “Ah, o nosso Deus nos deu codornizes!”
Certamente, no outro dia fizeram a maior propaganda: “Estão vendo?
O nosso Deus é um Deus maravilhoso! Ele faz tudo o que pedimos. Queríamos
codornizes e tivemos”. Em que isso facilitou a entrada deles na terra
prometida? Em nada. Pelo contrário, iraram a Deus.
Muitos, nos dias de hoje, continuam agindo da mesma forma: “Por que você
não pede a Deus? Ele dá aquilo que você pede!” Quem
está falando isso na nossa cabeça? O diabo. Através de
quem? Das pessoas. E por que ele age assim? Porque sabe qual a nossa fraqueza.
As Escrituras falam que cada um é tentado na sua própria fraqueza.
Vamos ler essa passagem juntos? Tiago, capítulo 1, versículos
13 a 15.
“13 Ninguém,
sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado
pelo mal e ele a ninguém tenta.
14 Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado
pela sua própria concupiscência;
15 então a concupiscência, havendo concebido, dá à
luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”
Com isso, conhecendo
a nossa falta de firmeza, o diabo nos instiga contra Deus: “Peça
a Ele, afinal, você merece. Onde estão os seus direitos de filho?”
O fim de tudo é a morte. De tanto ser tentado, provocado, Deus acaba
nos dando aquilo que queríamos.
É como acontece com a criança. Ela chora até conseguir
o que quer. “Eu quero picolé! Eu quero picolé!” Resultado:
depois de fazer o que não podia, a doença ataca e ela vai sofrer.
Foi bom para ela? Não foi! Como isso é verdade!
Cuidado com a tentação! Vamos dar outro exemplo. Estou olhando
para a Sula e me lembrei. Às vezes, a pessoa quer se casar e o diabo,
sabendo disso, que todo jovem tem essa esperança, o que ele vai fazer?
Tentá-lo ao casamento.
O casamento é muito bom. Muitos pensam que eu não aprovo o casamento.
Não tem nada melhor do que viver a dois, desde que haja, realmente, entre
eles amor, afeição, respeito, companheirismo etc.
As Escrituras falam que melhor é serem dois do que um. Um cordão
de três dobras não se quebra tão depressa. (Ec 4:12) Não
é assim, gente? Uma pessoa sozinha é muito mais difícil.
Mas é preciso que o cordão seja igual para se juntar um ao outro.
Mas, sendo tentado, o jovem provoca a Deus. Pode ser que o momento, a hora,
ainda não tenha chegado. Ele ainda não achou o outro cordão!
Pode acontecer o casamento fora da hora?
Pode acontecer no momento errado? Pode! Por quê? Porque nós, sem
entendimento, sem conhecimento, começamos a dizer: “Senhor, todos
os meus amigos se casam, por que eu não me caso? Eu vou fechar os olhos
e a primeira pessoa que vir...” (Risos - Ed.) Vocês estão
sorrindo, mas não é assim que acontece?
Eu tenho visto isso demais! No versículo que lemos está escrito:
“Quando ouvirdes a voz de Deus, não endureçais os vossos
corações.” Se fôssemos mais adultos um pouquinho,
se pudéssemos aproveitar mais, pode até ser que seríamos
tentados, mas seríamos capazes também de dizer: “Senhor,
faça conforme a Sua vontade.”
Ou, então, diríamos: “Satanás, você está
me tentando e você tem esse direito. Eu estou com muita fome, mas eu só
vou comer quando Deus quiser.” “Você pensa que eu não
tenho prazer nas coisas certas, justas? Eu tenho, mas eu vou tê-las quando
Deus quiser. Não adianta me provocar com sujeira, com as coisas ruins,
porque eu vou esperar com paciência no Senhor.”
Por isso, a nossa caminhada é difícil. Somos provocados a ter
as coisas antes da hora. O povo não tinha ainda entrado na terra que
Deus havia prometido e já queria os seus benefícios. Prestem atenção
nisso! Antes de entrar, o povo já queria os benefícios da terra
prometida. Será que isso não pode estar acontecendo conosco também?
Deus nos prometeu uma terra onde há justiça. O diabo, sabendo
disso, nos instiga a exigir justiça aqui, antes de entrarmos nessa terra.
Isso é fundamental. A tentação é isso. Eu quero
que fique bem claro. Podemos resumir o que significa tentação:
o nosso inimigo nos provoca a exigir aquilo que Deus pode nos dar, antes que
tenha chegado o momento.
Jesus disse: “Buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça
e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6:33) Vamos
acreditar que Ele é justo, que sabe perfeitamente daquilo que precisamos.
Se soubéssemos, diríamos: “Não, eu não vou
reclamar de Deus. Ele sabe que eu estou com fome, que eu preciso de cura.”
Vamos dizer: “Senhor, Tu sabes do que eu preciso, do que eu gosto, mas
o faça conforme a Tua vontade, na hora em que o Senhor quiser, do jeito
que o Senhor quiser.” É assim que tem de ser, mas jamais tentando,
provocando a Deus. Será que podemos adquirir esse entendimento e não
aceitar a provocação do diabo?
Ele provoca você para quê, Débora?
Para que eu provoque a Deus.
Depois de tentados, começamos a murmurar, reclamar, a não nos
conformarmos mais com a cruz, com o caminho, com o Evangelho. Murmuramos, resistimos,
endurecemos o coração. Vocês concordam com isso ou não?
Não é verdade? Busque o Reino de Deus e as outras coisas serão
acrescentadas, dadas.
Se tivermos paciência de esperar pela justiça de Deus, pela providência
divina, eu duvido que ela não virá. Ninguém que esperou
em Deus, que teve paciência, se decepcionou. O salmista diz: “Fui
moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência
a mendigar o pão.” (Sl 37:25)
Vejam o versículo 10 do capítulo 3:
“10 Por isso me indignei contra esta geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, e não conheceram os meus caminhos.”
Por que não
conseguiram conhecer o caminho de Deus? Porque não suportaram a tentação,
e assim não puderam entender a Deus. Muitos são tentados, ganham
o que querem, e como o Paulinho está dizendo, “caem como um pato”.
Ganham o que querem, mas não entendem a Deus, não conhecem os
Seus caminhos.
É como se Deus dissesse: “Ah, você quer isso, meu filho?
Então, tome.Você quer beber? Beba. Bem que eu te segurei por muito
tempo. O que Eu queria para você era muito mais, mas você trocou
por um simples prato de comida.”
Não foi isso o que aconteceu com Esaú? O que Deus quer conosco
é nos fazer Seus filhos, mas não entendemos. “Não
chegaram a conhecer os meus caminhos.” Por causa de uma glória,
de um emprego, de uma roupa bonita, de momentos de felicidade, de aparências,
de coisas enganosas.
Pode até ser que a pessoa receba tudo o que pediu, mas fique pelo caminho.
O resultado de tudo isso é o que acabamos de ler: “Não chegaram
a conhecer os meus caminhos.” Vai morrer sem entender a Deus.
Jó foi tentado muitas vezes para chegar à seguinte conclusão:
“Com o ouvir dos meus ouvidos, ouvi, mas agora os meus olhos te vêem.”
(Jó 42:5) Muitos dizem: “Agora eu conheci a Deus.” Cuidado,
gente! O inimigo vai ser seu inimigo até o fim. Eu queria ler agora o
versículo 12:
“12 Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar de Deus.”
Olhem só onde
o diabo quer nos levar. Somos tentados e se o nosso coração se
endurecer... Ele quer nos apartar de Deus! Acontecendo isto, quando invocarmos
a Deus, Ele não mais nos responderá; quando O quisermos, não
mais O teremos.
Vamos ser sinceros, dizer: “Senhor, Tu sabes do que eu gosto, o que eu
quero, mas faça conforme a Tua vontade.” Deus sabe do que precisamos.
Eu tenho pedido a Deus - pois há muitas pessoas doentes, enfermas entre
nós que necessitam de cura - que faça alguma coisa.
O diabo vai nos tentar de que maneira? Nos acusando. Muitos, ao verem os doentes,
dirão: “Por que não saram? Por que não são
curados?” Jesus foi tentado quando estava na cruz. Disseram para Ele:
“Aos outros salvou; salva-se a si mesmo, se este é o Cristo, o
escolhido de Deus”. (Lc 23:35)
Qual é a nossa reação? Voltamos para Deus tristes, abatidos,
amargurados, oprimidos. Muitos sequer voltam. Depois, vem aquele sentimento
ruim dentro do nosso coração e dizemos: “Sabe que é
verdade! Eu ajudei a tantas pessoas e não posso ajudar a mim mesmo.”
Se Jesus e tantos outros tivessem pensado assim, não teriam vencido a
tentação e cumprido suas missões.
Eu acho que vocês compreenderam, não é, Valdete?
Na medida em que vamos caminhando parece que nos esquecemos desse compromisso
que fizemos com Deus lá atrás, de morrer para o mundo e viver
só para Ele. Como isso é verdade! Aí, o diabo vem, desperta
o desejo em nosso coração, nos tenta para que provoquemos a Deus.
Muitas vezes, recebemos o que queríamos e pensamos que é porque
Deus está feliz conosco.
Recebe mesmo?
Recebe. Como foi falado, o povo não recebeu carne lá no deserto?
Nessa hora, a pessoa se enche de razão e diz: “Deus é comigo!
Tudo o que eu peço, Ele faz.” O que o povo no deserto, na verdade,
estava fazendo? Provocando a Deus e, como castigo, não entraram na Terra
Prometida.
É melhor ficarmos sem codornizes, doentes, pobres, mas entrarmos no Reino
de Deus. Satanás apenas observa a nossa vida e descobre a nossa fraqueza.
“Onde está a fraqueza do Rossini?” “Descobri onde a
Soraia tem o seu coração.” Depois de fazermos aquilo que
queríamos, vem o arrependimento. Enchemos a barriga e pensamos: “Por
que eu quebrei o jejum? Eu poderia ter resistido.”
Claudinha, o que você entendeu?
Achei interessante porque eu fiquei pensando o quanto somos tentados neste mundo.
Provocamos a Deus...
Até receber o que queríamos.
O que acontece depois?
Perdemos tudo e começamos de novo.
Então, vamos repetir? Somos tentados, não suportamos, provocamos
a Deus, recebemos e...
Depois perdemos.
Recebemos, mas aquilo não adiantou nada. Comeu...
Dançou. (Neto - Ed.)
Amém? No outro dia está arrependido.
E com fome de novo. É verdade, é dessa forma. (Neto - Ed.)
Roberta...
Amém. É isso mesmo. É como o senhor está falando,
às vezes, confundimos as coisas. Achamos que estamos pedindo, quando,
na verdade, estamos provocando a Deus. Então, com essa reunião,
eu entendi que, muitas vezes, em vez de pedir, estamos tentando a Deus. Realmente,
temos que tomar muito cuidado, não é?
Deus é obrigado a curar todas as pessoas?
Não.
Deus é obrigado a fazer tudo para todos?
Não, não é.
Deus faz, é justo, santo e faz tudo no momento certo. Precisamos entender
isso. Então, vamos confiar e esperar Nele.
Deus falou conosco, Paulinho?
Muito. Eu creio que foi muito importante esse alerta da travessia do povo no
deserto. Jesus realmente precisou passar por isso e conosco não vai ser
diferente. Não podemos ser iludidos, engodados com relação
a essas tentações. Como ganhou quem esteve aqui para ouvir esta
Palavra!
Amém. Vamos curvar nossas cabeças. Welmo?
Amém. Deus falou muito. O detalhe que eu achei mais importante foi que,
além de a tentação ser uma coisa de que gostamos, que desejamos,
pode ser algo que Deus vai nos dar. Só que o diabo nos provoca para que
peçamos aquilo para Deus antes da hora. Por exemplo, o senhor estava
falando do risco que a igreja corre em, de repente, tentar a Deus. Há
muitas coisas que gostaríamos de receber, mas tudo tem o momento certo.
Temos que tomar cuidado para, ao orar, não tentarmos a Deus. O senhor
citou o exemplo da cura, não é? Dizemos a Deus: “Senhor,
mas nos outros lugares tem cura, por que aqui não acontece com mais freqüência?
O Senhor fala conosco, nos dá visões, sonhos, mas o que está
acontecendo?” Assim, corremos o risco de receber o dom de cura, como estamos
querendo e não conhecer os caminhos de Deus. Também achei isso
importante. Mais importante do que a cura, do que o casamento, do que o dinheiro,
é entendermos Deus, conhecermos os Seus caminhos. Quem conhece os caminhos
de Deus, ainda que seja pobre, solteiro, doente, não vai provocá-Lo.
É verdade. Jesus não tinha onde reclinar a cabeça. Pedro
disse: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou.
Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (At 3:6) Paulo disse: “Porque
para mim viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Fp 1:21)
Uma pessoa que chega a admitir que a morte é lucro e que viver, para
ela, é Deus, é sinal de que conheceu os caminhos de Deus. Se observarmos
os homens, a grande nuvem de testemunhas que viveram antes de nós, vamos
perceber que venceram quando foram tentados.
Vamos encerrar. Amém, Jesus, que nós consigamos vencer também,
que a igreja que está aqui consiga também, Senhor, vencer todas
as tentações e provocações, que consiga vencer todos
os obstáculos, mas que, acima de tudo para nós, continue sendo
fazer a vontade do Senhor. Que hora nenhuma nós venhamos a tentar, a
provocar o Senhor. Eu quero dizer que o Senhor tem tido muita misericórdia
de nós, tem tido muita piedade de nós, porque nós gostaríamos
de fazer tantas coisas, gostaríamos de, quem sabe, pular, saltar o caminho
que nós ainda não andamos. Parece que é uma eternidade.
Parece, Senhor, que não chega e o dia se torna tão longo, a impaciência
toma conta e, às vezes, o nosso coração nos engana e provocamos,
tentamos. E com isso, aceitamos a provocação daquele que está
desejando a nossa queda, o nosso tropeço. Mas que o Senhor abra os nossos
olhos para que possamos saber que o Senhor tem cuidado de cada um de nós,
que o Senhor tem olhado para cada um de nós. Que a Sua vontade seja feita
em nossas vidas. E se nos for dado beber o cálice, certamente, o Senhor
também nos dará com ele a força. Nunca seremos tentados
acima do que formos capazes de suportar.
“Quantas coisas, nem sei
Tive que deixar
Por escolher ficar
Entre o povo de Deus
Peregrino me fiz
Neste mundo a vagar
Esperando o lugar
Que prometeste a mim
Lembro, hoje, meu Deus,
Da aliança firmada no céu
De um dia resgatar
Os filhos de Israel
Em vez de dor e escravidão
Um lugar de leite e mel
Onde o povo livre adorará
O verdadeiro Deus...”
Vamos cantar todos juntos, com alegria. Certamente, o Senhor não vai permitir que nenhuma tentação seja acima daquilo que nós podemos suportar. Tem misericórdia de nós, Jesus! Que nós possamos confiar no Senhor até o fim. Deus deu, Deus nos dá, cuida de nós e nada é difícil, Senhor, quando nós esperamos com paciência. Seja feita a Tua vontade. Nós te pedimos, em nome de Jesus. Se a Tua vontade for de nos curar, de nos livrar, se for para o nosso bem, cura, Senhor Deus, a nossa enfermidade, alivia, sara as nossas feridas. Nós Te pedimos, Senhor, em nome de Jesus, sobre quem nós pregamos. Em nome de Jesus, em quem nós temos colocado a nossa confiança e a nossa fé. Amém, Jesus.
“...Nessa terra
ponho os meus olhos
Em um deserto continuo a caminhar
E quando o vento não mais soprar em minha casa
Minha alma, enfim, poderá em Ti descansar
Jerusalém, oh, Jerusalém
Meus pés cansados buscam te alcançar
Jerusalém, oh, minha Jerusalém
Em breve, vou te encontrar...”
Amém. Estamos encerrando, então, em nome de Jesus. O tempo já chegou e eu espero que cada um de nós possa levar no coração, guardar essa Palavra, se é que Deus falou conosco, deixou uma mensagem. Eu creio que Deus falou e a mensagem ficou em meu coração. Abra bem os seus olhos para ver se, de repente, não suportando as tentações, você está tentando a Deus. E essa tentação, muitas vezes, pode fazer você perder coisas grandes, coisas preciosas que Deus tinha reservado, guardado. Amém. Então, vamos encerrar. Nós estamos terminando, em nome de Jesus.