CADA CORPO TEM A SUA GLÓRIA
De tudo o que vimos até agora podemos chegar pelo menos a uma conclusão:
não foi fácil para o Senhor, nem tampouco para os apóstolos.
Foram peças escolhidas a dedo, justamente porque eram fundamentais
para a igreja. Sem eles, não existiriam sequer as Escrituras que hoje
conhecemos por Novo Testamento.
Quem mais se habilitaria a executar tal missão? Ter os seus nomes lembrados
até os dias de hoje é uma glória, concordam? Existe uma
promessa para toda a igreja de ser glorificada com a mesma glória de
Jesus. É exatamente o lugar onde nos encontramos.
Por acaso você tem inveja da glória de uma atriz famosa, de um
homem inteligente, de uma pessoa rica? Existe alguém que herdou uma
glória maior do que a de Jesus? Existe um nome, de outra pessoa que
pisou esta terra, que seja mais conhecido do que o Dele? Não existe!
Pode responder sem medo.
Em qualquer lugar do mundo, não há, creio eu, uma alma sequer
que não tenha ouvido falar desse homem. Não digo que creiam
Nele, mas, em qualquer lugar da terra em que você disser: “Jesus
Cristo” – alguém ali saberá alguma coisa a Seu respeito.
Quantos livros, filmes, documentários não foram feitos sobre
a Sua pessoa? No entanto, Ele ainda continua sendo um mistério para
a grande maioria da humanidade. Isto acontece porque sobre o rosto dela permanece
um véu, ainda não retirado, o qual ali se encontra até
que uma verdadeira conversão aconteça.
Aos trinta e três anos de idade, ainda muito jovem, Jesus recebeu uma
glória incomparável, a mesma que agora nos está sendo
oferecida e, com certeza, não foi a glória do mundo. Você
deseja essa glória? Quer ser um com Deus? Essa é a glória!
Às vezes, não participamos dela porque não permitimos
que Ele nos edifique com esta finalidade. Pense na glória que Ele deu
aos apóstolos... Pedro era um homem humilde, iletrado, inculto. Ou
seja, o oposto de Paulo, para provar que o evangelho pode funcionar em qualquer
pessoa.
“E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos
dos apóstolos. E estavam todos de comum acordo no pórtico de
Salomão.
Dos outros, porém, nenhum ousava ajuntar-se a eles; mas o povo os tinha
em grande estima;
e cada vez mais se agregavam crentes ao Senhor em grande número tanto
de homens como de mulheres,
a ponto de transportarem os enfermos para as ruas, e os porem em leitos e
macas, para que ao passar Pedro, ao menos sua sombra cobrisse alguns deles.
Também das cidades circunvizinhas afluía muita gente a Jerusalém,
conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais eram
todos curados”.(At 5:12-16)
Pode observar que mesmo entre os apóstolos havia diferença de
glória. Aquele que foi escolhido para o lugar de Judas – Matias
– praticamente não é lembrado. Mas se você falar
de Mateus, de Pedro, de Filipe, de Paulo... Quem se santificar, se justificar
mais, com certeza terá uma glória maior, até por uma
questão de justiça.
“Também há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma
é a glória dos celestes e outra a dos terrestres.
Uma é a glória do sol, outra a glória da lua e outra
a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de
outra estrela”.(1Co 15:40-41)
Na realidade, as Escrituras usam o exemplo dos corpos celestes e dos corpos
terrestres, do sol e da lua, das estrelas, para mostrar que mesmo entre eles
existe diferença de esplendor, de glória. Assim também
acontece com o povo de Deus. Esta é uma obra que está sendo
feita por Ele, podem ter certeza disso.
Somente Deus é quem sabe qual a medida de glória que cada um
faz jus. Uma coisa eu posso garantir: quem resistir à Palavra não
pode sequer conhecer a glória de Deus e, muito menos, Dele receber
alguma coisa.
O Senhor lança a semente esperando que todos nós produzamos
cem por cento, embora saibamos que o aproveitamento varia de pessoa para pessoa.
Isto, porém, ocorre por uma deficiência nossa e não da
Palavra. A semente é a mesma; a qualidade da terra é que difere
uma da outra.
“Ouvi, pois, vós a parábola do semeador.
A todo o que ouve a palavra do reino e não a entende, vem o Maligno
e arrebata o que lhe foi semeado no coração; este é o
que foi semeado à beira do caminho.
E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra,
e logo a recebe com alegria;
mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração;
e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da
palavra, logo se escandaliza.
E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra;
mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam
a palavra, e ela fica infrutífera.
Mas o que foi semeado em boa terra, este é o que ouve a palavra, e
a entende; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta”.(Mt
13:18-23)
Querem ver um exemplo concreto? A própria evolução que
estamos tendo no nosso entendimento é uma glória. Como foi que
você adquiriu essa sabedoria, esse caráter? Orando, meditando,
chorando... Mas isso te trouxe uma glória, certo?
Observe e veja se mesmo entre nós não existe diferença
de glória. Repare que, naturalmente, uns brilham mais do que outros.
Não pode ser apenas uma vontade humana, não! É algo sobrenatural!
Deus, o responsável pelo governo, é que assim procede.
Acaso Ele não honraria aquele que está se esforçando?
Não se esconde uma cidade edificada sobre o monte e nem se acende uma
luz para colocá-la a não ser num lugar onde possa iluminar,
não é verdade?
Existe recompensa maior do que esta, uma glória imarcescível,
que não se desvanece, que não murcha? Não tem, gente!
A glória de Deus não é como a glória dos homens,
comparada à flor da erva, que um dia seca e cai.
“Uma voz diz: Clama. Respondi eu: Que hei de clamar? Toda a carne é
erva, e toda a sua glória como a flor do campo.
Seca-se a erva, e murcha a flor, soprando nelas o hálito do Senhor.
Na verdade o povo é erva.
Seca-se a erva, e murcha a flor; mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente”.
(Is 40:6-8)
Se naquele tempo era difícil formar um homem de Deus – olhe que
quem estava ensinando não era qualquer um, e sim o próprio Deus
– imagine nos dias em que estamos vivendo! Tirar uma pessoa do poder
de Satanás já é uma vitória muito grande, mas,
fazer dela um ministro, um apóstolo, um profeta, um pastor, é
muito difícil.
Tudo neste mundo passa! As Escrituras afirmam que é tudo, tudo mesmo.
Jesus, então, preferiu buscar uma outra glória, eterna, que
não tivesse fim, que não passasse. A Sua doutrina ainda hoje
é pregada entre os homens. O que importa mesmo é que Jesus Cristo
continue sendo lembrado.
“Verdade é que alguns pregam a Cristo até por inveja e
contenda, mas outros o fazem de boa mente;
Estes por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho;
Mas aqueles por contenda anunciam a Cristo, não sinceramente, julgando
suscitar aflição às minhas prisões.
Mas que importa? Contanto que, de toda maneira, ou por pretexto ou de verdade,
Cristo seja anunciado, nisto me regozijo, sim, e me regozijarei;
Porque sei que isto me resultará em salvação, pela vossa
súplica e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo,
Segundo a minha ardente expectativa e esperança, de que em nada serei
confundido; antes, com toda a ousadia, Cristo será, tanto agora como
sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.
Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”.
(Fp 1:15-21)
Quem teve mais glória: Jesus, Pilatos (Governador) ou Herodes (Rei)?
Esses dois últimos eram pessoas que ocupavam cargos de grande importância
neste mundo, mas que só são lembrados pela participação
que tiveram na vida de Jesus, nada mais. Um porque lavou as mãos diante
da multidão, proclamando-se inocente do sangue de Jesus; e o outro
porque O perseguiu e quis matá-Lo.
Para o Senhor estavam voltadas todas as atenções, nos dias da
Sua carne, seja por parte daqueles que O admiravam, seja por parte dos que
desejavam a Sua morte. A glória por Ele alcançada, riqueza alguma
pode comprar. Pedro, aquele humilde pescador a que nos referimos agora a pouco,
num determinado momento, curou um coxo de nascença que lhe pedira esmola.
O que ele adquiriu, então, seguindo as pegadas do mestre? Deus! Simplesmente
Deus! Amém! Deus era a sua riqueza! Mesmo assim, sentia necessidade
de continuar buscando a Deus.
“Pedro e João subiam ao templo à hora da oração,
a nona.
E, era carregado um homem, coxo de nascença, o qual todos os dias punham
à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam.
Ora, vendo ele a Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que
lhe dessem uma esmola.
E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.
E ele os olhava atentamente, esperando receber deles alguma coisa.
Disse-lhe Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te
dou; em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda.
Nisso, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus
pés e artelhos se firmaram
e, dando ele um salto, pôs-se em pé. Começou a andar e
entrou com eles no templo, andando, saltando e louvando a Deus.
Todo o povo, ao vê-lo andar e louvar a Deus,
reconhecia-o como o mesmo que estivera sentado a pedir esmola à Porta
Formosa do templo; e todos ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe
acontecera”.(At 3:1-10)
Existe nas Escrituras o exemplo de alguém que quis ter o que os apóstolos
tiveram, ao ver os sinais que faziam? Existe sim, aquele mágico...
Simão era o nome dele. O seu erro foi imaginar poder adquiri-lo por
outros meios. Chegou a oferecer dinheiro, como se fosse algo que se comprasse.
Quem está disposto a negar-se a si mesmo, colocar sobre o seu ombro
a cruz e, sobretudo, nascer de novo?
“Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, tendo ouvido
que os da Samaria haviam recebido a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e
João;
os quais, tendo descido, oraram por eles, para que recebessem o Espírito
Santo.
Porque sobre nenhum deles havia ele descido ainda; mas somente tinham sido
batizados em nome do Senhor Jesus.
Então lhes impuseram as mãos, e eles receberam o Espírito
Santo.
Quando Simão viu que pela imposição das mãos dos
apóstolos se dava o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro,
Dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem
eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo”.
Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição,
pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus.
Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração
não é reto diante de Deus.
Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga ao Senhor para que porventura
te seja perdoado o pensamento do teu coração;
Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laços de iniqüidade.
Respondendo, porém, Simão, disse: Rogai vós por mim ao
Senhor, para que nada do que haveis dito venha sobre mim”. (At 8:14-24)
Está no livro do Apocalipse, numa visão que o Senhor mostrou
ao apóstolo João, a conclusão desta obra. Lá podemos
ter uma noção da recompensa desses homens: a muralha da cidade
tinha doze fundamentos...
“E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das
sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a
noiva, a esposa do Cordeiro.
E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa
cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus,
O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze
apóstolos do Cordeiro”. (Ap 21:9, 10, 14).
Deus sempre usa o natural para explicar o espiritual. No passado, os reis
cercavam as cidades de muros para protegê-las contra os inimigos. Para
frente da batalha, iam os homens mais fortes, mais bem preparados, enquanto
que, lá dentro, no interior da cidade, ficavam os demais, bem como
os doentes, feridos, idosos, mulheres e crianças. Naturalmente, não
dá para imaginar mulheres compondo um muro ou a frente onde se enfrente
a maior resistência ao inimigo, não é verdade? Elas têm
os seus lugares, não menos importante, no interior da cidade.
Dessa forma, quando os inimigos vinham, em que eles se esbarravam? No muro!
Se quisessem adentrar à cidade, antes, teriam que passar por ele, não
importando como: derrubando-o, pulando-o ou abrindo nele uma passagem. O muro
representava, portanto, uma segurança para toda a cidade. Assim, os
inimigos só podiam saquear, invadir ou destruí-la, após
superar a resistência que o muro lhes oferecia.
Você agora já pode entender a necessidade dos apóstolos
na igreja: protegê-la. O diabo não respeita um sepulcro caiado,
uma parede esbranquiçada. Por estes, ele passa por cima! Ele só
teme, realmente, se for muro, ou seja, se a igreja estiver edificada sobre
a Palavra pregada por Jesus, pedra e fundamento indispensáveis à
igreja cristã. E a igreja que está sendo edificada, sempre é
bom repetir, somos nós. Portanto, é fundamental a presença
desses homens em nossa edificação.
Esses homens, dos quais o mundo não é digno são, como
estamos vendo, escolhidos e preparados especialmente para edificação
da igreja. Deus, conforme eu disse, se for da vontade Dele, um dia vai nos
dar um nome e nos intitular apóstolos, profetas, mestres, doutores,
pastores, evangelistas etc. Vamos deixar que o Senhor faça isso. Quanto
aos títulos, agora, pouco nos importa, mas sim depois de o termos alcançado.
O que interessa é correr a carreira e esperar nela alcançar
um lugar de destaque. Pensassem o que quisessem de Jesus, isto pouco importava,
porque nada O impedia de cumprir a missão para a qual acreditava ter
sido enviado.
“Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de
Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens
ser o Filho do homem?
Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias;
outros, Jeremias, ou algum dos profetas.
Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou?
Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
(Mt 16:13-16)
Se o Diabo ainda não te respeita... Mas, se ele vem e esbarra em você,
se encontra uma parede resistente, o próprio, vai perceber a obra que
Deus realiza em sua vida. A igreja, de um modo geral, é a que fica
por detrás do muro; muitas vezes, tem dificuldade de ler, de entender,
de falar com Deus, de discernir o bem do mal, além de outros problemas
de ordem natural, mas que também afetam a sua espiritualidade.
Por isso, o evangelho nos aconselha a fazer as coisas como quem sabe o que
está fazendo e de quem espera a recompensa, dando de comer a quem tiver
fome e de beber a quem tiver sede. Quanto ao exercício do juízo
sobre a obra de cada um, cabe somente ao Senhor. Deus mesmo é o que
arranca as plantas que não plantou ou retira as pedras que não
se encaixam na construção. Mas, enquanto estiverem dentro dos
limites da cidade, tem dos muros a proteção. Este é o
trabalho de quem tem consciência das regras impostas a quem corre a
carreira cristã.
“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas;
para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados
no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis
como luminares no mundo,
retendo a palavra da vida; para que no dia de Cristo eu tenha motivo de gloriar-me
de que não foi em vão que corri nem em vão que trabalhei”.
(Fp 2:14-16)
Eu creio que, nos dias de hoje, Deus está restaurando a cidade de Jerusalém,
no tocante a igreja que ainda se encontra na terra e, com ela, os muros. Inclusive,
no livro anterior, volume VIII, explicamos que a igreja, depois de experimentar
um período de muita luz, mergulhou nas trevas, na medida em que os
apóstolos foram morrendo.
Ou seja, a luz perdeu quase por completo o seu brilho, foi se apagando e a
igreja, perdendo aqueles que a protegiam. Há muito tempo, o reino do
mundo faz o que bem entende. Vamos acreditar, crer que Deus está trazendo-nos
uma luz melhor do que já temos. Com certeza, não tão
preciosa com no princípio da igreja, mas creio ser uma luz e nela devemos
confiar.
Nem todos chegarão a apóstolos, nem todos serão profetas.
Agora entendemos porque muitos serão chamados, mas poucos escolhidos.
O padrão de Deus é altíssimo, é a perfeição.
Quem não pensar assim, não pode permanecer na construção.
Por outro lado, a perseguição, por causa da Palavra, certamente
vem, e muitos são os que se escandalizam. Levam-se anos, décadas,
talvez toda uma vida para se formar um ministério, mas, para destruí-lo...
Basta um tropeço, um escândalo... Não é preciso
muito tempo, não! Portanto, muito cuidado, vigie!
Será que a igreja hoje pode dispensar os apóstolos? Claro que
não! Não se edifica o povo de Deus sem eles. São necessários!
Mas, como conhecê-los e qual a principal característica deles?
Está na capacidade que possuem de suportar. Qual a finalidade do alicerce
em uma construção? Acaso não é para dar sustentação
às paredes, ao telhado e assim por diante?
Ora, se essas pessoas que se dizem exemplo e luz para os que estão
em trevas, não suportam a pobreza, a injustiça, a perseguição
por causa da Palavra, como suportarão tais coisas os mais fracos, os
que vivem no interior da cidade? Ao se pensar numa igreja cristã, imagine
primeiro o portão e o muro que lhe dá proteção.
Se houve uma igreja forte no passado, é porque existiram esses homens,
dos quais, repito, o mundo não era digno. Quando olhamos o trabalho
que fizeram, a vida que viveram, chegamos a conclusão de que, realmente,
para aquele mundo, eles não serviam, muito menos serviriam para o mundo
que vivemos hoje.
Se existia uma igreja digna, era por causa dos homens dignos; se existia uma
igreja santa, era porque havia homens santos; se existia uma igreja justa,
certamente havia justiça entre eles. Tem sido cada vez mais raro, mais
difícil encontrar pessoas assim. O egoísmo, a vaidade, a soberba,
exercem muita influência nos dias de hoje sobre a humanidade.
Então, se pretendemos edificar uma igreja em qualquer que seja o lugar,
qual deve ser a nossa primeira preocupação? Lançar o
fundamento através desses homens. Pense na edificação
de uma igreja, imagine pessoas assim. É impressionante como hoje podemos
compreender isso de forma muito mais clara do que quando começamos
a crer.
Na realidade, iniciamos pela fé, meio que tropeçando, porque
não víamos o fundamento que vemos hoje. Chegamos até
aqui pela misericórdia, pela graça de Deus.
O mundo não pode ser digno de nós. Se você é amigo
do mundo, anda no seu curso, procede como qualquer pessoa, não está
correto. Não nos comparamos de forma alguma ao Senhor ou aos apóstolos.
Mas, pensando assim, vamos imitar a quem? Paulo, depois de muito caminhar,
disse para que nós o imitássemos. (1 Co 11:1)
Em outras palavras, ele estava dizendo mais ou menos o seguinte: “Já
que o Senhor não está mais aqui fisicamente, olhe para mim,
porque eu sou semelhante a Ele. Se você me imitar, estará imitando-O,
porque eu O imito”. Olhe só que responsabilidade ele estava assumindo,
colocando-se como um referencial, como modelo para a igreja.
Será que já existe em nosso meio alguém em condições
de ser imitado, sem restrições? Quem aqui imita Cristo, para
que nós possamos imitá-lo? Vocês concordam? É difícil,
muito difícil! Mas por causa disso, vamos apagar as Escrituras Sagradas
e pregar uma doutrina diferente, edificando uma igreja sobre qualquer fundamento?
É o que muitos fazem: o Senhor Jesus é a pedra que muitos edificadores
continuam rejeitando.
Assim, ninguém vai cobrar, exigir que Cristo seja imitado. Vamos fazer
o quê, então? O que estamos fazendo: cavando, insistindo, estamos
atrás da pedra sobre a qual iremos edificar a igreja. É melhor
reconhecer que ainda não chegamos lá e continuar buscando, do
que lançar outro fundamento, o mesmo que foi lançado desde o
princípio da igreja.
“E acontecerá nos últimos dias...” (At 2:17).
Visão: “Havia, em cima do altar, um palanque armado. Estava tudo
preparado para dar início a uma cerimônia de formatura. Sobre ele
tinha uma mesa muito grande. Nas cadeiras, pessoas importantes estavam assentadas;
eram elas que fariam a entrega dos diplomas aos formandos. Não eram muitos,
apenas três ou quatro. Do meio do povo, que assistia à cerimônia,
eles eram chamados”.
Como dissemos, é preciso muito tempo para se formar pessoas com ministérios
tão importantes. Agora somos capazes de entender muito mais a razão
de tudo isso. Essas pessoas são vitais para a edificação
da igreja. Deus usou como figura uma cerimônia de formatura.
Mas, antes da colação de grau, momento em que a pessoa é
considerada habilitada para exercer determinada profissão, são
necessários vários anos de estudo e preparação (alfabetização,
primário, primeiro grau, segundo grau, etc.). Vejam que, realmente, é
algo bastante difícil, que poucas pessoas alcançam.
Como foi dito, para se formar um ministério, é possível
que leve toda uma vida; para destruí-lo, no entanto, basta apenas um
cochilo. Ficamos felizes em saber que Deus têm preparado essas pessoas.
Não são muitas, é verdade, apenas três ou quatro,
mas pense bem: um apóstolo já faria muita diferença, concordam?
Não é quantidade, portanto.
Vejam só a influência que o Senhor e mais doze homens causaram
ao mundo. Graças a Deus por isso! Amém! Deus é tão
sábio que não foi possível ver os rostos das pessoas que
recebiam seus diplomas. Mas uma coisa é possível afirmar: os que
galgarem tais posições sairão do nosso meio! Foi do meio
do povo que o Senhor chamou os apóstolos e todos os demais para trabalharem
em Seu ministério.
Os responsáveis pela entrega dos diplomas eram pessoas importantes! Normalmente,
sempre há um ou outro professor compondo a mesa, no momento da cerimônia.
Entre eles, certamente estava o próprio Senhor Jesus Cristo, o nosso
grande Mestre. Mas havia outras cadeiras.
Naturalmente, estavam ali os apóstolos Paulo, Pedro, João e muitos
outros irmãos preciosos. Que bênção! Assim, pode
até ser você um dos três ou quatro. Tome para si esta Palavra,
esforce-se para alcançar o seu lugar no ministério de Cristo.
Eu acredito que Jesus, quando nasceu, não sabia que seria o Senhor. Por
um pouco de tempo, diz as Escrituras, Ele se fez homem, como um de nós.
Mas, ao tomar conhecimento do que estava escrito a Seu respeito, creu nas profecias.
Assim, de fé em fé, Aquele homem foi crescendo na graça
e no conhecimento, de forma que um dia alcançou a condição
de Filho de Deus, Senhor e Cristo. Amém.