“E
com muitas outras palavras dava testemunho, e os exortava, dizendo: salvai-vos
desta geração perversa”. (At 2:40)
Um outro fundamento extremamente importante nos diz que vivemos em meio a uma
geração perversa, isto é, uma geração corrupta,
depravada, malvada, ruim. Malvada porque o governo que está sobre ela
é maligno. Pela passagem que citamos e existem muitas outras, percebe-se
claramente o propósito de Deus: nos salvar dessa geração
perversa, ou como diz o apóstolo Paulo, nos livrar do presente século
mau. (Gl 1:14)
Está ficando ainda mais claro tudo o que temos falado até agora.
Então, Deus tinha um propósito e para isso fez um sacrifício
enorme, entregou-se a si mesmo porque tinha que dar início à Sua
igreja, colocando no mundo a pedra principal, pedra fundamental. Começou
o Seu trabalho de Salvador e preparou pessoas com o mesmo objetivo, de nos livrar
do presente século mau.
A preocupação dos apóstolos, de acordo com o que lemos,
já naquela época, era da Palavra ser usada com outra finalidade,
que não a de livrar as pessoas do presente século mau. Então,
embora o verdadeiro evangelho exista, são poucos os que o pregam, com
a finalidade de nos livrar dessa geração perversa, reinada por
Satanás. O pão asmo tem hoje como grande adversário, aliás,
constituindo-se na grande maioria, uma doutrina estimulando o povo a se apegar
ao presente século.
O fermento, a respeito do qual Jesus recomendou cuidado, é colocado de
forma tão sutil que sequer é notado. São inúmeras
as religiões que, em vez de estimular seus seguidores a se converterem
a Cristo e a desejarem o Reino de Deus, querem consertar o mundo, quando este
já está condenado, e o que é pior, envolve nele os seus
fiéis. São muitas as aberrações nesse sentido. Uma
delas é o envolvimento com a política, elegendo vereadores, deputados,
governadores etc. Querem por tudo o lugar de César.
Quem achar que não está no meio de uma geração perversa,
governada pelo diabo, não vai se esforçar para alcançar
a promessa de novos céus e a nova terra, onde o Senhor promete que haverá
justiça. Lugar este que olhos não viram, nem ouvidos ouviram,
nem penetraram o coração do homem (I Co 2:9). Já imaginou,
depois de tanto tempo ouvindo, ficarmos de fora dele?
Quem não se salvar dessa geração perversa, julgando ser
ela justa, será sufocado por ela. É exatamente o que Jesus disse
na parábola do semeador, a respeito dos espinhos que, crescendo, sufocam
a Palavra, simbolizando os cuidados com o mundo, a sedução pelas
riquezas. (Mt 13:22) É uma luta constante. Na verdade, as coisas pertencentes
a César, são, aos nossos olhos, mais atraentes do que as que são
de Deus.
Numa outra oportunidade, falando sobre o mesmo assunto, Jesus contou uma parábola
sobre um certo homem que, depois de haver preparado uma grande ceia, convidou
a muitos. Mas todos, um por um, começaram a escusar-se, um porque comprou
um campo, outro uma junta de boi, outro ainda porque havia se casado. (Lc 14:18-19)
Esses exemplos são exemplificativos, mas qual será a nossa desculpa?
Muitos, inocentemente até, acreditam que tudo o que acontece por aqui
é da vontade de Deus, demonstrando até certa indignação.
“Será que Deus não está vendo isso?” Se Deus
realmente reinasse, que sentido teria Jesus nos aconselhar a buscar o Reino
de Deus? Entenda de uma vez por todas que Deus não reina o mundo e, segundo
as Escrituras, jaz no maligno, ou seja, padece nas mãos de Satanás.
“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu
reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse
entregue aos judeus; entretanto o meu reino não é daqui”.(Jo
18:36)
Não se deixe iludir pela aparência, tudo está nas mãos
do dragão, da antiga serpente, pelo menos por enquanto. Um dia, o governo
do mundo passará a ser do Senhor Jesus, mas esse dia ainda não
chegou. Medite nos dois versículos que se seguem:
“Então o Diabo, levando-o a um lugar elevado, mostrou-lhe num relance
todos os reinos do mundo.
E disse-lhe: Dar-te-ei toda a autoridade e glória destes reinos, porque
me foi entregue, e a dou a quem eu quiser;
se tu, me adorares, será toda tua”. (Lc 4:5-7)
Noutra passagem, está escrito:
“E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes
vozes, que diziam: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo,
e ele reinará pelos séculos dos séculos”. (Ap 11:15)
Como alguém vai se proteger ou se defender de algo se, aos seus olhos,
está tudo bem? Dependendo de quem nos ouve, podemos ser escarnecidos,
o que, no entanto, não nos preocupa. Todavia, isso requer de nós
muito cuidado, senão nem nós, nem ninguém. O propósito
do inimigo é derrubar todos os que estão de pé.
Então, enquanto estivermos aqui, vivemos como quem vive em terra estranha,
na casa do próprio inimigo. Sair do mundo, para nós, significaria
morrer. É certo que um dia isso vai acontecer, mas, enquanto estivermos
“vivos”, o Senhor Jesus nos promete livrar do mal. Em outras palavras,
estamos no mundo, mas não concordamos, não pertencemos a ele.
O seu governo maligno e injusto já não nos ilude mais.
Qual seria então, a maneira escolhida por Deus para nos livrar do mal
dessa serpente? Abrindo os nossos olhos, não é mesmo? No Éden,
nossos olhos foram abertos para ver e vemos hoje o mundo. O inverso é
o propósito de Deus, para nos salvar: devolver ao homem a visão
que ele perdeu. Aliás, essa foi a missão que o apóstolo
Paulo recebeu. Vejamos o que ele tem a nos dizer a esse respeito. Todo o capítulo
é muito importante, mas interessa-nos agora, principalmente, o seguinte:
“... Eu sou Jesus, a quem tu persegues;
mas levanta-te e põe-te em pé; pois para isto te apareci, para
te fazer ministro e testemunha tanto das coisas em que me tens visto como daquelas
em que te hei de aparecer;
livrando-te deste povo e dos gentios, aos quais te envio,
para lhes abrir os olhos a fim de que se convertam das trevas à luz,
e do poder de Satanás a Deus, para que recebam remissão de pecados
e herança entre aqueles que são santificados pela fé em
mim”.(At 26:15-18)
Em resumo, a principal tarefa de um discípulo de Cristo, um enviado de
Deus, é abrir os olhos do povo e das trevas o converter à luz,
tirando-o do poder de Satanás. A força do pecado está exatamente
em não podermos ver o que se passa no céu. Enquanto isto não
acontecer, cegos continuarão guiando cegos e o diabo continuará
exercendo o seu governo. Se foi necessário o próprio Deus iniciar
esta difícil tarefa, vindo pessoalmente lançar a pedra fundamental
dessa grande obra, imagine o rigor das provas a que seremos submetidos, se dessa
obra formos participantes.