O
ARREPENDIMENTO
“Pedro
então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado
em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis
o dom do Espírito Santo.”
Seguindo a seqüência, vamos falar agora desse outro fundamento: o
arrependimento. Arrependimento é pesar, contrição. Há
quem pense não haver necessidade de nada disso.
Nessa passagem que lemos, diz que as pessoas, ao ouvirem o que Pedro estava
dizendo, compungiram-se em seus corações. Compunção
é um estado em que nos encontramos pesarosos, abatidos, arrependidos.
É também quando o nosso choro se mistura com o gemido da alma
e o nosso espírito, dentro de nós, sente-se profundamente culpado
e arrependido, por algo que jamais gostaria de ter praticado. O ato da compunção
tem a participação direta do Espírito Santo.
Naquele momento, eles foram convencidos de que viviam uma vida que não
agradava a Deus. Isto não nos entristeceria também? Não
nos entristecemos com isso? Existem os que não se importam com isto,
mas, se esse pesar não acontecer, não há também
a remissão do pecado. Se não existir pesar, tristeza, se não
nos sensibilizarmos, o inimigo permanece exercendo o seu domínio sobre
nós.
O Senhor tem um coração que se comove com alguém que chora,
que se veste de pano de saco e cinza. Era assim que o povo de Deus fazia, não
importava qual fosse o pecado. De repente, vinha ao profeta uma Palavra, para
dizer ao povo que a sua iniqüidade tinha sido perdoada.
Somente Ele é capaz de entender a nossa situação e, por
isso, se compadece, tendo pena e misericórdia de nós. E quando
Ele nos vê arrependidos, chorando, querendo ser justos, Se dispõe
a nos ouvir. A um coração quebrantado e contrito Deus não
despreza, não suporta. Ele vai nos ajudar, qualquer que seja a nossa
situação.
“Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse
holocaustos, tu não te deleitarias.
O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado;
ao coração quebrantado e contrito não desprezarás,
ó Deus”. (Sl 51:16-17)
Não pense que o seu pecado é pior do que o dos outros. A vontade
de Deus é que cheguemos a Ele com disposição de confessar
os nossos maus procedimentos: “Senhor, a minha situação
é esta. Eu necessito da Sua ajuda, tenha misericórdia de mim”.
“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados
sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que
sejam vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã”.
(Is 1:18)
Nesse momento, então, quando nos achegamos a Ele, podemos sentir a obra
que realiza em nossas vidas. O caminho é esse, o do arrependimento. Não
nos desviemos dele. Se nós pecarmos, o importante é voltarmos
imediatamente. Se já estivermos longe demais, voltaremos assim mesmo,
é muito melhor. É bem verdade que a distância dificulta
o arrependimento, nos torna frios e insensíveis.
Não tem como nos tornarmos espirituais se não for através
do arrependimento. Enquanto estivermos pecando, necessitamos de arrependimento.
Ainda não atingimos a natureza divina, a ponto de dispensar a necessidade
de arrependermos pelos pecados que ainda cometemos. Temos nos esforçado,
pelejado, mas reconheçamos, ainda não chegamos lá.
Um ou outro pode ser que tenha já alcançado. Todavia, o melhor
é continuar se esforçando para se chegar à perfeição.
O arrependimento demonstra o nosso desejo de mudança. O apóstolo
Paulo afirma que nele havia uma luta constante para fazer o bem, mas o mal que
ele não desejava, quando menos esperava, este fazia. Essa é também
a nossa luta.
Mas é aí que entra a importância do arrependimento. Se ele
realmente ocorreu, o Senhor apaga os nossos pecados. É o que está
no versículo 38, do capítulo 2, do livro de atos, que lemos agora
a pouco. Sem o arrependimento, não há remissão de pecados.
Uma vez remido o pecado, não somos mais devedores dele. É um alívio,
podem ter certeza. Sem a culpa o pecado perde a sua força.
O diabo, então, não pode mais nos acusar, porque a nossa dívida
já foi perdoada. Cuidado para não confundir o que eu estou falando
com aquela doutrina diabólica que tem por aí dizendo que não
necessitamos fazer nada, já que toda a nossa dívida foi perdoada.
Entenda o que estamos falando: é necessário esforço, vontade
de agradar a Deus. Ele nos diz a mesma coisa que foi dita àquela mulher
pega em adultério: “Vai-te e não peques mais”. (Jo
8:11)
É isso que realmente nos edifica, usando toda a nossa força, todo
o nosso entendimento, todo o nosso sacrifício para não pecarmos.
Mas, se pecarmos, é imprescindível o arrependimento. Deus espera
isso de nós, sabiam? Pode ser que nós estejamos atrasando a volta
de Cristo, por falta de arrependimento.
“Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para
o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.
O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por
tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo
que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se”.
(2 Pe 3:8-9)
Ninguém vai conseguir nada com Deus, sem arrependimento. João
Batista veio pregando o arrependimento; o Senhor Jesus, procedeu da mesma forma;
os apóstolos, por sua vez, anunciaram a mesma coisa; e conosco não
será diferente.
“Naqueles dias apareceu João, o Batista, pregando no deserto da
Judéia,
Dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”.(Mt
3:1-2)
“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos,
porque é chegado o reino dos céus”.(Mt 4:17)
O fundamento já foi posto. Sem ele, o pecado vai continuar tendo domínio
sobre as nossas vidas. O pecado é a força que o diabo tem sobre
nós, seja ele do tamanho que for. O arrependimento é o reconhecimento
de que há pecado e a forte intenção de se livrar dele.
Pode ser que muito tempo seja gasto para eliminá-lo por completo. Uma
roupa branca, por exemplo, que se suja, não é alvejada de um instante
para o outro. Mas se nos conformarmos, também não teremos de volta
a veste limpa e branca que tínhamos.
A necessidade de resistir até o sangue combatendo contra o pecado sempre
vai existir. Por que as pessoas se vestiam de pano de saco e cinza? Arrependiam-se
pelo fato de não terem dado ouvido ao profeta. “Senhor, por que
eu não te ouvi naquele sonho? Por que eu não cri na visão?
Por que eu não dei crédito à Sua palavra? O Senhor queria
falar comigo e os meus ouvidos se fecharam, e permaneceu o meu pecado”.
Este é o maior sinal de que entregamos os nossos caminhos ao Senhor.
O arrependimento é tudo o que Ele necessita para se sentir com liberdade
em nossas vidas. O Senhor é justo, sabe do nosso esforço, é
longânimo, tem paciência, suporta, espera até que acordemos
e entendamos que estamos errados. Não quer que ninguém se perca.
“... E acontecerá nos últimos dias...” (At 2:17).
Visão: “Tínhamos rachaduras em todo o corpo (rosto, braço, pernas). No momento em que uma mão nos tocava, a nossa pele recompunha-se, tornava-se perfeita, sem nenhum defeito”.
O
que são rachaduras? São defeitos, exatamente a mesma coisa que
o pecado. Pecados, vimos, são defeitos dos quais devemos nos arrepender.
É um mal que está em nós, mas que não fica bem.
Eram muitas as rachaduras por todo o corpo.
Esta é a situação em que o Senhor nos encontra, mas não
podemos permanecer assim. Ele nos quer perfeitos, santos, sem defeito. Assim,
a mão, ao nos tocar, tirava essas rachaduras. Que o Senhor tenha toda
a liberdade para fazer isto conosco.
Creia nesta Palavra, acredite que o Senhor está tirando os nossos defeitos,
tome posse dela. Quem permanecer na fé vai, um dia, poder contemplar
com os seus próprios olhos a igreja sem os seus pecados.
Visão: “Havia um livro muito grande. Dois anjos, um com um lápis e o outro com uma borracha apagava alguma coisa que estava escrita”.
Vimos
que, com o nosso arrependimento, ocorre também a remissão, o perdão
do pecado. As Escrituras nos falam da existência de um livro – o
Livro da Vida – em que são registrados todos os acontecimentos
das nossas vidas.
Dois anjos estavam de posse dele. Com uma borracha, um deles apagava algumas
coisas que estavam escritas. O que seria? Não seriam as nossas transgressões?
Coisas erradas que, acertadamente, foram escritas a nosso respeito, o Senhor
está apagando.
A Palavra diz que Ele não se lembra mais das nossas iniqüidades,
desde que haja arrependimento. É como se dissesse: “Sou Eu quem
apago as suas transgressões. Sou o Cordeiro de Deus que tira o pecado
do mundo”.
Mas, da mesma forma que foram apagadas, existia também outro anjo com
um lápis na mão, certamente para anotar alguma coisa, caso fosse
necessário. Daí a importância da luta para não mais
cometer pecado.
Sonho: “Um relógio muito grande marcava cinco segundos para seis horas da manhã. Estranhamente, sempre que o ponteiro dos segundos marcava seis horas, imediatamente, retornava para cinco segundos para seis da manhã. E assim observei por três vezes consecutivas. Pensei que o relógio estivesse estragado e contei para o irmão Rossini. Ele me disse que não havia nada de errado, mas que aquele relógio marcava a hora da igreja”.
Realmente,
como o Senhor é paciente e longânimo! Vimos que, na verdade, Ele
não está retardando a promessa que nos fez; muito pelo contrário,
está esperando que estejamos prontos para apossarmos dessas promessas.
Por isso, Ele retarda o tempo da Sua volta, até que todos cheguem ao
arrependimento. Assim, o relógio, sempre que chegava às seis da
manhã, retornava cinco segundos. É mais ou menos nesse horário
que o sol nasce.
Profeticamente falando, o nascimento do sol corresponde à volta de Cristo.
Ele não voltou ainda por causa da igreja. Era o nosso tempo que o relógio
marcava. Quem sabe se não sou eu, se não é você que
está faltando arrepender-se? Faça isso, examine-se.
Vejamos se existe em nós algum mal, algum pecado que necessita de arrependimento.
Quando estivermos prontos, certamente o toque das seis horas irá soar
como um grande alarido e o Senhor voltará. A igreja, daí para
frente, não necessitará mais de arrependimento, uma vez que o
pecado não mais existirá para ela.