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NOTA INTRODUTÓRIA

NOTA INTRODUTÓRIA

Nada de bem ou de mal pode ser feito senão através do corpo. As mãos que disparam o gatilho de uma arma são as mesmas utilizadas para realizar uma cirurgia de grande complexidade e salvar muitas vidas; os olhos que contemplam a natureza e glorificam a Deus também revelam frieza e insensibilidade diante da miséria alheia; pés e pernas que proporcionam espetáculos de alegria e beleza, não raro, são usados para fugir apressadamente e escapar impune. O homem é uma contradição em si mesmo, capaz das mais estranhas atitudes numa fração de segundos.

Quem diria, por exemplo, que assistiríamos a guerras sanguinárias e doentias, como vemos nos dias de hoje, alimentando ainda mais o ódio entre os povos? E mais, envolvendo a participação direta de crianças que, antes mesmo de ensaiarem os primeiros passos da vida, aprendem a manusear armas; mais uma infância roubada pelo desejo de vingança. Será que não existe algo mais por trás de tudo isso ou trata-se apenas de mais um conflito étnico, religioso político ou territorial? Corpos são exibidos aos montes espalhados pelo chão, outros tantos feridos, mulheres violentadas, crianças desamparadas e a tão sonhada paz parece cada vez mais distante.

Ainda em alguns lugares o corpo permanece como sendo alvo da chamada justiça humana. A punição a que os criminosos eram e são submetidos fazem lembrar quase que uma reprodução teatral do crime: mesmos gestos, mesmos instrumentos, maior  barbaridade; execução do assassino no mesmo lugar e na mesma circunstância do crime, queima-se os impuros, fura-se a língua dos blasfemadores, mata-se quem matou, corta-se o punho de quem roubou.  “A justiça é cega” – dizem eles. Felizmente ou infelizmente, não se sabe, a “deusa da justiça” é uma imagem de olhos vendados, assim não pode enxergar tanta injustiça. A história se encarregou de registrar em letras de sangue algumas dessas atrocidades. Não se assuste com o relato a seguir, pois há outros métodos bem mais cruéis. Permanecer na ignorância também não deixa de ser um ato de violência contra a verdade, e sem se conhecer a verdade não há libertação possível, pois mais dura que ela seja:

“O confessor fala com o condenado ao ouvido, e depois lhe dá a bênção, imediatamente o executor, com uma barra de ferro, das que são usadas nos matadouros, descarrega um golpe com toda a força na têmpora do infeliz, que cai morto: no mesmo instante, o executor lhe corta o pescoço com uma grande faca, banhando-se de sangue: num espetáculo horrível aos olhos, corta-lhe os nervos até os calcanhares, e em seguida abre-lhe o ventre de onde tira o coração, o fígado, o baço, os pulmões, pendurando-os num gancho de ferro, e o corta e disseca em pedaços que põe em outros ganchos à medida que vai cortando, assim como se faz com um animal. Quem puder que olhe uma coisa dessas!”.1

O que a maioria das pessoas não sabe é que tudo isto faz parte de um meticuloso plano traçado por Satanás. Somos espíritos, assim como Deus e os anjos, que um dia fomos sepultados neste corpo, que nada mais é do que uma maldição, o resultado de uma pena imposta por causa da nossa desobediência. Em outras palavras, induzidos pelo diabo, caímos numa escravidão que, para muitos, para não dizer a grande maioria, pode durar eternamente. A exemplo do que acontecia e ainda ocorre nas guerras entre um povo e outro – os perdedores – para infelicidade suas e para a felicidade de um outro grupo – os vencedores – tornam-se seus escravos. Certo é que, quase sempre, qualquer que seja a situação, ninguém se torna escravo por vontade própria, antes, resulta de força, violência e imposição.

Se numa guerra tudo vale, inclusive tirar a vida do inimigo, pelo menos é assim que se justificam aqueles que assim procedem, com maior razão lhes é dado o direito de fazer-lhes escravos, preservando-lhes a vida, ainda que aparentemente. Se a liberdade tem um preço para aquele que a compra ou a conquista, certamente não tem preço para aquele que a perde. Vencidos pelo diabo no Éden, toda a espécie humana, escravizada, passou a obedecer-lhe, ao mesmo tempo em que se tornou inimiga de Deus, embora ninguém admita ser isto uma verdade.

Há quem diga que os escravos tudo perdem em seus grilhões, inclusive o desejo de se livrar deles. Abrem mão de sua liberdade com a mesma determinação que seus antepassados decidiram lutar por ela. Outros se mostram tão indiferentes, bem como há os que julgam sequer valer a pena lutar, e se preciso for, morrer por ela.  A dignidade e a auto-estima já não existem e a servidão passa até mesmo a ser apreciada. A força e o medo constituíram os primeiros escravos, o comodismo os perpetuou. Mesmo após a abolição da escravatura no Brasil, muitos dos escravos decidiram permanecer com seus antigos senhores, justificando suas decisões no fato de não terem outra alternativa, pois temiam a vida que iriam enfrentar lá fora.

Tomar decisões quando já se está acostumado a simplesmente obedecer pode se tornar complicado. Isto explica porque temos a tendência de facilmente nos submetermos a alguém que pense e decida por nós. O povo de Deus ao exigir um rei humano, seguindo o exemplo de outras nações, jamais imaginou estar retrocedendo.2  É pena que nem sempre escolhemos a única pessoa indicada para colocar a nossa confiança: Deus. Também não é por outro motivo que, mesmo após Jesus ter ressuscitado e conquistado as chaves da morte e do inferno, aberto todas as prisões, muitos optaram por permanecer escravos.3

As conseqüências de tudo isto já são bem conhecidas de todos nós: corpo enfermo, corpo agredido, corpo fatigado, corpo perseguido, corpo humilhado, corpo violentado, corpo atribulado, corpo faminto, corpo ferido, corpo sentenciado à morte, corpo amortecido pelo tempo, corpo nu, marcas no ombro ou no rosto, expostas num corpo vivo ou morto, dado como espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens4 , diz o apóstolo Paulo. O homem foi colocado no centro das atenções do Universo, milhões de seres invisíveis, uns militando a favor, outros contra, assistem ao desenrolar dessa verdadeira guerra, cujos reflexos apenas sentimos. A sentença de Deus, já antecipadamente pronunciada, não poderia ser outra:

“Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore que te ordenei, dizendo: não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.

Espinhos e abrolhos também te produzirá; e comerás a erva do campo.

No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás”. (Gn 3:17-19)

É bem verdade que o corpo, por si só, é incapaz de realizar alguma coisa, mas não resta dúvida de que é ele quem sofre todas as agressões, sejam quais forem. Talvez aí resida o maior trunfo do inimigo: buscamos soluções puramente humanas, quando, na verdade, devem ser espirituais. Além do mais, ele conhece a dificuldade que temos de acreditar naquilo que não podemos tocar, mas não nos enganemos, o mundo espiritual é tão real quanto o mundo em que vivemos.

Entendemos que o corpo passou a ser apenas um instrumento, conduzido pelo espírito, este sim, a verdadeira força capaz das mais estranhas atitudes. O Evangelho nos mostra claramente que somos casa espiritual e assim como uma casa comporta vários compartimentos, uma pessoa pode ser morada de vários espíritos malignos, salvo se o espírito de Deus estiver nela. Basta dizer que Jesus expulsou do endemoniado de gadareno uma legião de demônios. Legião aqui deve ser entendida como batalhão, exército, esquadrão, bando. É impressionante como as Escrituras retratam a maneira triste de como vivia este homem. Vejam como, mais uma vez, o corpo é quem padece:

“Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo,

o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo;

porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas e os grilhões despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo.

Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se em pedras”. (Mc 5:2-5)

Convenhamos: não necessitamos chegar a esse estado para acreditarmos que ainda somos vulneráveis aos ataques do inimigo. Certamente há em nossas vidas alguma área em que ele tem acesso, uns mais, outros menos. Há espíritos que causam mentira, inimizade, contenda, prostituição, homicídio, ira e assim por diante, e não estamos falando do Espírito de Deus. Depois de consumado o mal que veio causar, o espírito se retira da pessoa que foi usada. Quem causou todo aquele mal? Um espírito. Quem padeceu? Novamente o corpo. Será que Satanás ainda estava em Judas quando, arrependido, atirou no templo as trinta moedas de prata que recebera, preço da traição, e foi se enforcar? Acreditamos que não.

Contudo, os constantes ataques desses espíritos não podem servir de pretexto para estarmos sempre justificando os nossos erros: Adão culpou a Eva, que culpou a Serpente. Afinal de contas, Cristo também nos prometeu dar do Seu espírito. Quando a luta é espiritual, de igual modo, as armas devem ser espirituais, não nos resta outra alternativa. Será que por diversas vezes Judas não foi advertido a respeito do perigo que corria, como também Pedro, e por que não dizer nós? É certo que sim! Não restam dúvidas de que Deus perdoa o nosso pecado, qualquer que seja, desde que haja arrependimento. Entretanto, os efeitos, os males causados, estes sim, não há como evitar; o que se planta, se colhe, e as marcas no corpo serão certas.

Os fariseus consideravam-se livres, afinal de contas, iam e vinham, compravam e vendiam sem a necessidade do uso de algemas, grilhões, ferrolhos ou qualquer coisa parecida. Consideravam-se livres, mas é exatamente por isso que eram escravos. Escravos de suas vontades, prisioneiros de suas concupiscências, servos de seus pecados. Ainda que fossem senhores de uma centena de servos, para Deus, seriam tão escravos quanto eles. Quem sabe os únicos verdadeiramente livres seriam seus súditos. Ser livre, portanto, sob o ponto de vista de Deus,  não é fazer sempre a nossa vontade, mas sim a capacidade de não fazer aquilo que queremos. Se algum dia, alguém completamente livre pisou nesta terra, este alguém foi Jesus, e por diversas vezes afirmou ter vindo ao mundo não para fazer a sua vontade, mas a vontade daquele que O enviou:

“Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;

e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Responderam-lhe: somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: sereis livres?

Respondeu-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.

Ora, o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8:31-36).

O que resumidamente dissemos nos faz chegar a algumas conclusões extremamente importantes: primeiro – bom seria que não tivéssemos corpo, não este corpo que conhecemos que, segundo as Escrituras, pelos motivos já esclarecidos, é o corpo da humilhação; segundo – somos casas espirituais e somente o Espírito de Deus em nós é capaz de impedir que outros espíritos entrem; terceiro – precisamos reconhecer que ainda estamos presos a esta vida, pois somente assim poderemos, quem sabe, ser libertos; quarto – ninguém pode se sentir absolutamente seguro e inabalável enquanto estiver neste corpo; e, finalmente, precisamos entender de uma vez por todas que a nossa luta não é contra a pessoa, mas sim contra o espírito que está agindo por trás dela.

O que vimos e ouvimos, Volume IV, traz uma síntese do teor das pregações realizadas em Goiânia/GO, em fevereiro de 2002. São cinco capítulos assim subdivididos: Capítulo I (Libertando os filhos de Abraão), mostra que muitas pessoas, apesar de serem filhos de Abraão, estavam presas a várias coisas, entre as quais enfermidade e a riqueza; foram estas pessoas que Cristo veio resgatar; Capítulo II (As várias espécies que Deus criou), dando ênfase para mostrar que o homem, embora seja a mais importante criatura de Deus, não é a única, e responde a várias perguntas como, por exemplo, por que o homem se rebelou contra Deus?; Capítulo III (Sob a eficácia de Deus ou de Satanás?), não há como fugir desta verdade: o homem será sempre um prisioneiro, escravo e servo, seja da vontade de Deus, seja da vontade de Satanás; Capítulo IV (Todas as coisas o Pai confiou ao Filho), o Filho é tão importante, referindo-se primeiramente a Cristo e, num segundo momento, a todos aqueles que vierem a se tornar filhos de Deus, que todas as promessas, os mistérios de Deus, o mundo vindouro, foram confiados a Ele (s); Capítulo V (Deus confirma Sua palavra), onde foram relatados vários sonhos, visões e profecias que testificam o conteúdo da palavra pregada naqueles dias que ora publicamos. Finalmente, os Comentários Finais, trazendo o testemunho de várias pessoas que estiveram presentes no encontro.

Ser escravo é não ter direito, vontade, nem viver para si mesmo. A única razão de sua existência é servir ao seu senhor, fazer o que lhe agrada. Não recebem salários, dificilmente são lembrados, e nem mesmo ao se casarem têm o direito de desposar sua esposa. Primeiro fazem-no os senhores. O mesmo se diga com relação à colheita: plantam, regam, ceifam, mas não gozam dos seus frutos. A vida árdua e o sofrimento lhes ocasionam brevidade de vida. A grande maioria faz trabalhos forçados e, quando muito, consegue um lugar de doméstico na casa de seu senhor.

Contudo, há também bons senhores, embora seja em menor número, é verdade. Praticamente não estabelecem diferença entre os filhos da casa e os escravos, assentam-se juntos à mesa, comem do mesmo manjar e dormem na mesma casa. Mas por melhor que seja o senhor, filho será sempre filho e escravo será sempre escravo, por mais eficiente e atencioso que seja.

Tudo vai depender, então, de quem estivermos servindo. Existem aqueles que forçam seus súditos a temê-lo, ao invés de amá-lo, mas há também os que, com amor, conquistam o respeito. Quem sabe assim, depois de muito sofrer nas mãos de um senhor tirano, encontremos uma razão de viver. Contudo, jamais poderemos servir aos dois senhores, pois ou haveremos de aborrecer um e amar o outro, ou nos devotaremos a um e desprezaremos o outro. Que nós não temamos em mudar de senhor, tampouco nos assustemos com suas constantes ameaças. De escravos de Satanás e prisioneiros do pecado, Jesus Cristo, Senhor nosso por direito, não nos obriga, mas nos convida a sermos servos da justiça. A escolha é de cada um!

Notas:

1 Foucault, Michel. Vigiar e Punir, 23ª ed., Vozes, p. 44

2 I Samuel 8:6

3 Apocalipse 1:18

4 I Coríntios 4:9

O que vimos e ouvimos…, Ano I, Vol. IV

Este material traz uma síntese do teor das pregações realizadas durante o encontro na cidade de Goiânia/GO, em fevereiro de 2002. Foram tomadas gravações de CDs. É uma publicação da Gráfica e Editora Vereda. Interessados ligar para (62) 205-3512 ou (62) 268-3960, ou escrever para Rua das Acácias n° 295, Setor Residencial dos Ipês, Goiânia/GO, CEP 74.705-970.

INDICE

Cap. I – Libertando os filhos de Abraão……………………………………15

Cap. II – As várias espécies que Deus criou……………………………….31

Cap. III – Sob a eficácia de Deus ou de Satanás?…………………………47

Cap. IV – Todas as coisas o Pai confiou ao Filho…………………………59

Cap. V – Deus confirma Sua palavra………………………………………..73

Comentários Finais………………………………………………………………89

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