“… aos quais também, depois de haver padecido, se apresentou vivo, com muitas provas infalíveis, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias, e lhes falando das coisas concernentes ao reino de Deus”.(At 1:3)
Finalmente, não poderíamos encerrar essas rápidas considerações a respeito de alguns fundamentos, sem falar da ressurreição, sem dúvida, o mais importante de todos. A ressurreição deve ser vista como o ponto culminante do evangelho, para onde ele nos conduz. Tão importante que se não houver ressurreição dos mortos, vã é a nossa fé e falso é o testemunho que por eles foi dado.
Em outras palavras, pense bem, se não houvesse ressurreição, os que morreram em Cristo, inclusive os apóstolos, teriam se esforçado em vão, ou seja, inutilmente. De nada valeria terem se sacrificado, ser crucificado de cabeça para baixo, como foi o caso de Pedro; decapitado, a exemplo de Paulo; exilado, como João e apedrejado, como aconteceu com Estevão. Isto sem falar em fome, sede, frio, enfermidade, perseguição, andar pelo caminho estreito, renunciar aos prazeres do mundo e a si mesmo etc.
Então, temos motivos suficientes para acreditar que existe algo mais. É nesta hora que entra a nossa fé. Se não acreditarmos, não vamos nos esforçar para alcançá-la. E é por essa causa que sofremos, nos arrependemos, recompomos nossas forças e continuamos nessa jornada. Como está escrito, se esperamos em Cristo apenas nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. (1 Co 15:19) Isto que dizer que podemos esperar Nele também nesta vida, mas, principalmente, para a verdadeira vida.
“Mas se não há ressurreição de mortos, também Cristo não foi ressuscitado.
E, se Cristo não foi ressuscitado, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.
E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não são ressuscitados”.(1 Co 15:13-15)
Foi a ressurreição de Jesus Cristo que provou a eficiência da Sua doutrina sobre o poder de Satanás. Vencer a morte representou a vitória sobre o último e maior inimigo do homem. A lei e os profetas apontavam para a ressurreição, mas, só depois que Ele reapareceu aos discípulos e permaneceu com eles durante um espaço de quarenta dias, é que ela foi, realmente, consumada.
Não pense que para os próprios apóstolos tenha sido fácil! Um deles, Tomé, que não estava presente quando Jesus se apresentou aos outros discípulos, chegou a ponto de afirmar que se não visse o sinal dos cravos nas mãos Dele, e não tocasse o Seu lado, de maneira alguma creria na ressurreição. (Jo 20:25)
Será que também não temos essa dificuldade? Tomé creu porque viu, mas Jesus disse que bem-aventurados são aqueles que não viram e creram. Que não sejamos tardios, nem incrédulos em compreender que o evangelho que ressuscitou Jesus dentre os mortos é o mesmo que está sendo pregado a nós, visando também a nossa ressurreição. Se ainda não alcançamos essa compreensão, que o Senhor possa abrir o nosso entendimento, para compreendermos as Escrituras, como fez com os discípulos.
“São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.
Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;
e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos;
e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém.
Vós sois testemunhas destas coisas”. (Lc 24:44-48)
E depois que se apresentou aos discípulos, Jesus retornou para o lugar de onde veio, num novo corpo. Esse corpo tinha também a sua carne, mas era diferente da que nos encontramos hoje. Ao avistá-Lo, até se atemorizaram, pensando tratar-se de um espírito.
“Enquanto ainda falavam nisso, o próprio Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco.
Mas eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito.
Ele, porém, lhes disse: Por que estais perturbados? E por que surgem dúvidas em vossos corações?
Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho.
E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés”. (Lc 24:36-40)
O corpo que Jesus ressuscitou era tão tremendo, tão glorioso que nem mesmo os discípulos que estavam a caminho de Emaús com Ele O reconheceram. O seu aspecto físico em nada lembrava mais aquela pessoa sofrida, com quem estiveram três dias atrás.
Só deram conta de que se tratava, realmente, de Jesus, no momento da ceia, quando desapareceu diante deles. (Lc 24:31) Essa é apenas uma propriedade que aquele corpo possui, de aparecer e desaparecer. Depois disso, quantas vezes será que Ele não reapareceu aos apóstolos? Outras virtudes desse corpo seriam de não adoecer, não morrer, não envelhecer, enfim, um corpo incorruptível.
“Assim também é a ressurreição, é ressuscitado em incorrupção.
Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder.
Semeia-se corpo animal, é ressuscitado corpo espiritual”. (1 Co 15:42-44)
É preciso entender, de verdade, que Jesus Cristo está vivo em nosso meio, e pode aparecer a qualquer momento, como se apresentou a Paulo, dizendo que apareceria em outras ocasiões.
“Eu sou Jesus, a quem tu persegues;
mas levanta-te e põe-te em pé; pois para isto te apareci, para te fazer ministro e testemunha tanto das coisas em que me tens visto como daquelas em que te hei de aparecer” (At 26:15-16)
Então, mais do que abençoar a nossa vida neste mundo, Ele quer que ressuscitemos, quer nos livrar do fogo do inferno. Quem já ressuscitou, como é o caso Dele, não corre o menor perigo de ir para o inferno, porque o novo corpo não possui mais a carne do pecado. Nós, os que ainda estamos neste corpo, é que temos que nos cuidar. Aquele que pensa estar de pé, cuidado para que não caia. (1 Co 10:12)
Seguir Jesus por onde quer que ande, nos ajuda a suportar com mais dignidade as dificuldades que nos são impostas pela cruz. Quem é tardio em compreender isso acaba se tornando um alvo para o inimigo e, perturbado, perde a sua desenvoltura com a qual começou a vida cristã. Mas, se corrermos a carreira que nos foi proposta, se lutarmos até o fim, iremos vencer, participando da primeira ressurreição, o que, na verdade, é o nosso objetivo.
Povo de Deus
