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Nota Introdutória

Nota Introdutória

Um senhor recruta trabalhadores para a construção de um hotel no cume de uma montanha. Não muito longe dali,  sinais de uma nascente. Sua fonte é tão segura e precisa que, rapidamente, surge  uma gigantesca torrente de águas. Um rio se forma mais adiante. Sua extensão e utilidade fazem com que, em pouco tempo, se torne de vital importância para as  pessoas  que habitam na região.  Centenas de árvores crescem em suas encostas… Por razões desconhecidas, o proprietário do hotel necessitou ausentar-se por algum tempo, confiando aos seus operários a responsabilidade pela continuação da atividade. Estes, por sua vez, um a um, foram abandonando o trabalho, até que o hotel ficou completamente deserto. Apesar disso, os operários permaneceram às margens do rio e edificaram para si, a princípio, pequenas vilas, que mais pareciam favelas. Usando de astúcia, cuidadosamente iam ao hotel abandonado e roubavam os materiais que ali estavam – areia, tijolos, pedras, janelas, madeiras, etc. – e, no afã de levá-los, muitos eram retirados das próprias paredes já levantadas. Na mesma velocidade em que crescia o número de vilas, o hotel ia sendo destruído. Para cumprir  uma necessidade que tinham, surge um outro problema: como se livrar de tantos detritos? Como solução, passaram a despejá-los no rio. Por quanto mais vilas o rio passasse, mais suja e contaminada sua água se tornava.

Não estamos fazendo mais um triste relato de como o homem vem destruindo a natureza em nossos dias. É, na verdade, uma breve descrição de um sonho tido há alguns anos atrás. A capa deste Terceiro Volume foi inspirada nessa profecia que, lamentavelmente, mostra a sinistra realidade em que vivemos. Deus sempre usou o natural, o mundo que conhecemos, para explicar o mundo espiritual, tão real quanto o primeiro, mas que os nossos olhos não podem contemplar. Mais triste que ver a natureza sendo tão brutalmente agredida é ver a igreja e o evangelho daquele a quem chamamos de Senhor serem  pisados e deturpados pelos homens. Nesse caso, a igreja está simbolizada pelo hotel e o evangelho pelo rio.

Essas vilas que aí apareceram, primeiramente, destruindo parte do que já estava construído e, num segundo momento, despejando seus detritos no rio, não representariam as inúmeras denominações que foram surgindo e interferindo com suas diferentes doutrinas?  É certo que sim! Todas as denominações e religiões, sem exceção, têm como fundamento de suas doutrinas alguma coisa daquilo que está registrado nas Escrituras Sagradas. Ela foi e continua sendo a fonte de inspiração para evangélicos, espíritas, católicos, protestantes, budistas, islamitas, etc. A maioria desses seguimentos religiosos, por falta de entendimento, ignorância ou pura maldade, pervertem criminosamente a doutrina de Cristo, a palavra de Deus para os dias de hoje. Isto é, para quem Nele acredita.

Por essa razão, ao mesmo tempo em que se retiravam materiais da antiga construção, simbolizando a igreja fundada por Jesus Cristo e seus apóstolos, progressivamente ela ia sendo destruída. Imagine se, por exemplo, alguém, cada dia que fosse à sua casa, levasse consigo um tijolo. Em um mês, seriam trinta tijolos; em um ano, trezentos e sessenta e cinco tijolos a menos, e assim por diante. Dependendo do local em que o tijolo se encontrasse, sua retirada poderia representar a queda de toda a parede. Imagine qual não é o prejuízo causado ao final de aproximadamente dois mil anos à igreja e ao evangelho, tendo em vista os fragmentos que são retirados para justificar determinada crença ou atitude. Jamais compreenderão a grandeza da obra que Deus está edificando em nossos dias, pois não podem ser entendidos e analisados isoladamente, senão em conjunto com toda a palavra, principalmente as revelações neotestamentárias trazidas por Jesus Cristo e seus apóstolos.

Se realmente crêem em Jesus Cristo, como afirmam, ao invés de darem continuidade ao trabalho que já foi iniciado, porque preferiram a rebeldia, edificaram algo completamente contrário e destruíram aquilo que muitos pagaram com as suas próprias vidas, entre eles o próprio Deus encarnado, Jesus Cristo? Suas obras negam aquilo que com seus lábios confessam. A diferença entre aquilo que Deus quer que façamos e aquilo que está sendo feito é tão grande que foram comparados como sendo hotel e favelas. Certamente, Deus vê com tristeza o ponto de vista humano interferindo na verdadeira justiça. É o original se degenerando. Não é nada fácil admitir, mas esta tem sido a contribuição do homem, e não estamos falando daqueles que não têm nenhum compromisso com Deus; antes,  referimo-nos aos que se dizem seu povo.

Nem sempre foi assim. Observamos ainda que, na  sua origem, o rio correu com tamanha força que nada foi capaz de conter o seu avanço. Nem reis, nem sacerdotes, nem tribulação, nem perseguição, nem mesmo a morte convencia aquelas pessoas do contrário. O rio aí, como dissemos, representa o evangelho, nascendo e se propagando. Em cada embarcação, em cada casa, em cada família, o comentário que se ouvia era a respeito da nova doutrina que estava causando toda aquela revolução, principalmente após a ressurreição de seu precursor. Isto, porém, não foi o bastante para impedir que suas águas fossem contaminadas, ainda que Cristo e seus apóstolos tivessem se preocupado, fundamentalmente, em fixar um leito seguro e preciso para as gerações futuras.

Em sua carta a Timóteo, Paulo expressamente diz : “…Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” [II Tm 4:3-4]. Ao fazer esta advertência, o apóstolo não adivinhou, e sim profetizou  a respeito do que estamos falando. Todas aquelas sujeiras lançadas ao rio são falsas doutrinas, fábulas, preceitos de homens que não condizem com a verdade do evangelho. Com qual objetivo? Seria simplesmente para o homem satisfazer a sua sede de poder, vaidade, orgulho, egoísmo, prepotência, seu ímpeto desenfreado por riquezas ou existe algo mais por trás de tudo isso? E, se quisermos observar, iremos notar que há um envolvimento gradativo e crescente das diversas religiões em todo esse processo.

Diz a tradição que arqueiros prudentes, pretendendo alcançar alvos distantes e, conhecendo bem o grau de exatidão do seu arco, orientam a mira bem mais alta que o lugar destinado, não para atingir tal altura com a flecha ,mas, para poder, por meio de mira tão elevada, atingir o alvo. Deus continua convocando esses trabalhadores das últimas horas. Se quisermos habitar em local seguro e não em favelas, reedificar a igreja em ruínas, restaurar vidas, tudo o que temos a fazer é seguir o exemplo do arqueiro prudente: primeiramente, conhecer bem o nosso alvo; em segundo lugar, manusear com precisão as armas de que dispomos; terceiro, procurar imitar aqueles que, pela fé, alcançaram o que para muitos era tido como impossível. Jesus jamais teria ressuscitado se não tivesse crido nessa possibilidade; e, finalmente, atirar a flecha o mais alto e longe que pudermos para, quem sabe assim, atingir o nosso alvo: voltar à originalidade, escapar desse rio de lama. Para que isso aconteça, basta beber da água que Jesus Cristo veio nos trazer, e nos tornaremos também uma fonte. Mas, ao ouví-lo, é necessário cuidado para não sair dizendo, porventura, aquilo que  Ele não disse. Isso sim, é o que contamina o rio. Se a palavra que sair da nossa boca estiver produzindo morte e não a verdadeira vida, grilhões e não a verdadeira libertação, injustiça e não   a verdadeira justiça, é sinal de que ainda estamos permitindo que esse rio de imundície corra dentro de nós.

Esperamos com tudo isso tê-lo acordado para a necessidade que temos de ir direto à fonte, sem intermediários, e conhecer a Jesus Cristo, a sua doutrina, o seu evangelho. Examine a pureza da fonte da qual você tem bebido. Aceitar uma palavra corrompida é tão prejudicial quanto ingerir  uma água contaminada. Ambas podem causar a morte. O rio, hoje, precisa correr dentro de nós  tão puro quanto o é em sua fonte. Para tanto, será necessário nadar contra toda esta correnteza de hipocrisia e falsidades que se  instalaram. Enfrentaremos muita resistência, mas se sabemos em quem temos crido, é certo que não estaremos sozinhos nessa batalha. Aquele que teme a Deus e se ajoelha diante Dele não deve temer a homem ou a potestade alguma. Medite nas mensagens que se seguem adiante, faça uma acareação com as Escrituras Sagradas, única fonte segura para se falar do nosso Deus. Visamos apenas impulsioná-lo a conhecer a verdade, e não dominá-lo,  subjugá-lo em sua capacidade de compreensão. Não queremos também apontar esta ou aquela denominação como sendo  culpada por toda esta situação.  Preferimos dizer que estamos vivendo dias de muita escuridão espiritual. Se estivermos conseguindo enxergar alguma coisa, não nos ensoberbeçamos, pois a  glória, com certeza, não é nossa.

O que vimos e ouvimos…, Ano I, Vol. III.

Este material traz o teor das pregações realizadas durante o encontro na cidade de Palmas/TO, em novembro de 2001. Foram tomadas gravações CDs e impressas na íntegra. É uma publicação da Gráfica e Editora Vereda. Interessados ligar para (62) 205-3512 ou (62) 268-3960, ou escrever para Rua das Acácias n° 295, Setor Residencial dos Ipês, Goiânia/GO, CEP 74.705-970.

INDICE

Cap. I – O reino de Deus é o lugar onde somos livres para serví-lo………13

Cap. II – O conhecimento de Deus é o nosso tesouro…………………………35

Cap. III – O ponto de vista de Deus……………………………………………….59

Cap. IV – Deus nos porá por cabeça e não por cauda………………………..75

Cap. V – A igreja rumo à perfeição ………………………………………………95

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